O governo brasileiro divulgou nota oficial nesta segunda-feira (9), por meio do Ministério das Relações Exteriores, exigindo a libertação imediata do brasileiro Thiago Ávila e dos demais ativistas detidos por Israel durante a interceptação da embarcação Madleen, que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
O Itamaraty ressaltou o princípio da liberdade de navegação em águas internacionais e solicitou que o governo israelense remova “todas as restrições à entrada de ajuda humanitária em território palestino”, conforme previsto pelo direito internacional.
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A nota afirma que as embaixadas do Brasil na região permanecem sob alerta para prestar assistência consular, conforme determina a Convenção de Viena sobre Relações Consulares. O governo brasileiro acompanha o caso com atenção e reiterou que Israel, como potência ocupante, tem obrigações específicas em relação à população civil palestina.
Interceptação de barco com ajuda humanitária gera condenações
A embarcação Madleen, organizada pela Coalizão da Flotilha da Liberdade, partiu da Itália no início de junho e se aproximava da costa de Gaza quando foi interceptada por militares israelenses e desviada para o porto de Asdod. A bordo estavam 12 ativistas de diferentes nacionalidades, incluindo o brasileiro Thiago Ávila, a ativista sueca Greta Thunberg e a eurodeputada franco-palestina Rima Hassan.
Segundo os organizadores, o barco levava apenas alimentos e medicamentos e navegava em águas internacionais. Vídeos divulgados pela organização mostram os ativistas sendo abordados com ordens para entregarem coletes e aparelhos eletrônicos.
A ONG Anistia Internacional classificou a ação como violação do direito internacional e afirmou que a interceptação teve como objetivo impedir a chegada de ajuda a civis em Gaza. Irã e Turquia também condenaram a operação.
Crise humanitária em Gaza e histórico de bloqueios
A interceptação ocorre em meio a uma das piores crises humanitárias já registradas na Faixa de Gaza. A Organização Mundial da Saúde declarou o colapso do sistema de saúde no território e agências da ONU alertam para o risco de fome em larga escala.
Desde o início do conflito, em 7 de outubro de 2023, mais de 54 mil palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde local. Do lado israelense, os ataques do Hamas causaram mais de 1.200 mortes.
Israel mantém bloqueio marítimo, aéreo e terrestre sobre Gaza desde 2007. A tentativa da flotilha em romper simbolicamente esse cerco foi classificada pelas autoridades israelenses como “provocação”. O Ministério da Defesa de Israel divulgou imagens da entrega de água e alimentos aos ativistas detidos.
Federação Palestina denuncia política de extermínio
A Federação Árabe Palestina do Brasil também se manifestou sobre o episódio. Em nota pública, classificou o ataque à flotilha como parte da “solução final” de Israel para Gaza. O documento denuncia o bloqueio como estratégia deliberada de extermínio e afirma que impedir a chegada de alimentos e medicamentos faz parte da “limpeza étnica em curso” contra a população palestina.
NOTA PÚBLICA: Ataque à Flotilha da Liberdade é parte da solução final de "israel" na Palestina
— FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil (@FepalB) June 9, 2025
O regime sionista de "israel", forma social e estatal degenerada que supera até mesmo o nazismo, que se faz enquanto experimento social genocida na Palestina há 77 anos e que leva a… pic.twitter.com/R9J3G5qruD
A federação ainda cobrou que o Brasil rompa relações diplomáticas com Israel e adote medidas como sanções, boicotes e desinvestimentos. O texto expressa solidariedade ao brasileiro Thiago Ávila e aos demais ativistas, e conclama a sociedade brasileira a se posicionar contra o bloqueio de Gaza e a ocupação dos territórios palestinos.