O Zimbábue anunciou o banimento das exportações de concentrado de lítio a partir de 2027. Segundo o governo do país africano, o objetivo da medida é que as mineradoras passam a processar o mineral localmente.
Com as maiores reservas da África e a maior parte das exportações com destino à China, o Zimbábue é considerado um ator central na garantia global dos chamados “minerais de transição”, essenciais na produção de veículos elétricos e baterias.
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O governo zimbabueano já havia banido as exportações de minério de lítio em 2022, usado para a obtenção do concentrado de lítio. O país tem uma das maiores reservas de lítio da África, ao lado de países como Mali e República Democrática do Congo — que enfrenta conflito duradouro ligado à extração de minérios.
A nova suspensão nas exportações de lítio concentrado busca incentivar o processamento e refino local do minério com o objetivo de gerar exportações de maior valor agregado.
“Com efeito a partir de janeiro de 2027, a exportação do concentrado de lítio não será mais permitida”, disse a repórteres o ministro da Informação, Jenfan Muswere, após reunião de gabinete na terça-feira (10), na capital zimbabueana, Harare, segundo a agência AFP.
Conforme a declaração, duas companhias, Bikita Minerals e Arcadia Lithium, estão no processo de estabelecer unidades de refino no Zimbábue para que o lítio pudesse ser produzido localmente. Ambas as empresas tiveram seus projetos adquiridos por grupos chineses, segundo publicou a S&P Global.
Para o Centro de Governança de Recursos Naturais (CNRG, na sigla em inglês) do Zimbábue, um grupo de pesquisa e advocacy sediado em Harare, o esforço do governo para ampliar o lucro chega tarde demais. Em comunicado, o grupo afirma que a data estipulada para a suspensão é muito distante e não acompanha o atual ritmo de extração variação do preço do lítio no mercado global.
“Quando essa política entrar em vigor, mais de 1,6 milhão de toneladas de lítio bruto podem já ter deixado o país, enriquecendo o interesse estrangeiro, enquanto comunidades locais são deixadas para trás, deslocadas, sem direitos e cada vez mais vulneráveis”, diz trecho do comunicado.
A organização aponta ainda que o Zimbábue deve garantir controle sobre “minerais críticos” e levar em conta o impacto sócio-econômico da extração sem controle.
“Enfatizamos que a suspensão deve ter efeito imediato para prevenir maior corrosão do capital natural e exploração sem controle, o que tem devastadoras implicações sócio-econômicas e ambientais”, acrescenta.
O Zimbábue enfrenta desafios significativos ligados à crise climática. Em 2024, o El-Niño gerou uma seca que foi motivo de uma crise nacional, afetando significativamente a agricultura do país.