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Representante da ONU visita Goma após ocupação do M23 e discute futuro da missão de paz na RD Congo

Bintou Keita se reuniu com rebeldes para discutir proteção de civis, enquanto população local questiona eficácia da Monusco após 25 anos de operação
A representante da ONU Bintou Keita discursou durante reunião com representantes do M23, em Goma, no Congo.

A representante da ONU Bintou Keita discursou durante reunião com representantes do M23, em Goma, no Congo.

— Reprodução/MONUSCO

13 de junho de 2025

A representante especial do secretário-geral da ONU na República Democrática do Congo (RDC), Bintou Keita, chegou na quarta-feira (12) a Goma, capital da província do Kivu do Norte. Essa é a primeira visita da chefe da missão de paz das Nações Unidas (MONUSCO) à cidade desde que foi tomada pelo grupo armado M23, no fim de janeiro.

A visita de três dias inclui encontros com representantes do M23 e da aliança armada AFC, à qual o grupo pertence. Segundo a MONUSCO, o objetivo é debater as prioridades do mandato da missão, com foco na proteção de civis.

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“Estou aqui para escutar e expressar solidariedade com a população de Goma e com o pessoal da MONUSCO. A resiliência de vocês é notável”, afirmou Keita durante a chegada.

Missão da ONU enfrenta desconfiança e críticas

A presença da MONUSCO na RDC completou 25 anos, mas sua atuação segue alvo de críticas crescentes. A visita de Keita foi recebida com ceticismo por parte dos moradores de Goma, que expressaram frustração com a longa permanência da missão sem avanços concretos na proteção das populações locais.

“Estamos cansados. A MONUSCO está aqui há 25 anos, mas a guerra não acabou. O M23 tomou Goma e Bukavu, e nada foi feito. Não acreditamos que essa visita vá mudar algo”, disse Souzy Kisuki, jovem ativista de Goma, em entrevista à Deutsche Welle.

A desconfiança popular se intensificou após o início da retirada da MONUSCO, em 2024, começando pela província de Kivu do Sul. O governo congolês justificou a decisão com base na “ineficácia” da missão em proteger a população. 

“Depois de duas décadas de presença da MONUSCO, chegou a hora de assumirmos o controle do nosso destino e da nossa segurança”, declarou à época o presidente Félix Tshisekedi, segundo a Agence France-Presse.

Impasse diplomático e tensões regionais

A ocupação de Goma e de outras áreas do leste da RDC pelo M23 agravou a crise diplomática entre Congo e Ruanda. Kinshasa acusa Kigali de fornecer apoio logístico e militar ao M23. Ruanda nega as acusações e justifica sua presença militar na região como necessária para combater o grupo hutu FDLR, fundado por ex-líderes envolvidos no genocídio de 1994.

A tensão regional se intensificou ainda mais com a decisão de Ruanda de se retirar da Comunidade Econômica dos Estados da África Central (CEEAC), dias antes da visita de Keita. O governo ruandês criticou o bloco por supostamente favorecer a RDC em meio às disputas territoriais e políticas.

Paralelamente, seguem em curso negociações multilaterais em busca de um acordo de paz. O Catar apresentou uma proposta formal de cessar-fogo, e os Estados Unidos anunciaram conversas avançadas com as partes. A expectativa é de que um novo acordo possa ser assinado ainda em junho, durante cerimônia prevista em Washington.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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