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Documentário brasileiro expõe realidade de campo de refugiados no Malaui

Filme vai mostrar trajetória de quatro refugiados que se uniram para mudar as vidas de quem mora no campo de refugiados de Dzaleka, na África
Registro do documentário "Nação Ubuntu".

Registro do documentário "Nação Ubuntu".

— Divulgação

13 de julho de 2025

Impressionada com o trabalho social realizado pela ONG brasileira Fraternidade Sem Fronteiras, que conheceu de perto em sua primeira visita a Moçambique em 2015 e depois ao Malaui, em 2019, a produtora Iafa Britz, da Migdal Filmes, convidou o diretor e amigo Paulo Henrique Fontenelle para conhecer a iniciativa. Ele não só aceitou o convite como viu a oportunidade para um documentário.

Em março de 2020, Iafa, Paulo, o diretor de fotografia Julio Cesar Siqueira e Andrei Moreira, diretor voluntário da ONG, passaram dez dias no campo Dzaleka e ficaram impactados com o projeto para educação desenvolvido por quatro refugiados que viviam neste campo –  Maick, Prince, Feli e Frank – e a brasileira Clarissa Paz, que deixou o Brasil para se dedicar à missão humanitária no Malaui. O projeto batizado de “Nação Ubuntu”, foi viabilizado pela ONG, fundada pelo ativista social Wagner Moura. 

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“Ao chegar em Dzaleka, percebemos que havia uma história muito maior do que um projeto social: a trajetória de quatro refugiados, que no meio daquela crise humanitária e situação de extrema miséria, perceberam que só através da união conseguiriam proporcionar uma vida melhor para toda a comunidade”, conta Paulo.

“Acredito que, além de emocionar com as histórias, esse projeto vai trazer para quem assiste também os valores de solidariedade e nos ensinar o quanto o amor e a cooperação entre as pessoas pode realizar coisas impossíveis.”, explica o diretor.

O documentário “Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados” mostra o contexto de crise humanitária no qual Maick, Prince, Feli e Frank estão inseridos, as condições precárias em que as pessoas vivem no campo de refugiados, impedidos de sair ou exercer profissões, sem documentação ou cidadania reconhecida, e sofrendo hostilidade dos moradores do Malaui. Além disso, o longa denuncia a situação de crise em vários países da África, principalmente a República Democrática do Congo, que se encontra numa guerra civil pouco noticiada mundialmente.

O trabalho do quarteto protagonista em meio a uma realidade de extrema pobreza e limitação hoje agrega cerca de 1 mil refugiados voluntários imbuídos da mesma missão. Através da ONG, foi comprado um terreno enorme junto ao campo para a construção de uma escola, que hoje recebe, aproximadamente, 1 mil alunos de diversas faixas etárias, e a criação de diversas oficinas de trabalho, como o ateliê de costura, carpintaria e fabricação de biocarvão.

Devido à pandemia de Covid-19, a produção levou cinco anos para retornar e dar continuidade às filmagens, agora com uma equipe mais estruturada. Tanto na primeira etapa quanto na segunda, treinaram e contrataram refugiados para completar a equipe. 

O filme conta também com a consultoria de Renato Noguera, escritor e estudioso da causa negra e da história da África. “Eu não conhecia o projeto Nação Ubuntu e fiquei entusiasmado com uma perspectiva de acolhimento cuidadosa e inspiradora. Por isso, a minha contribuição está em assegurar ainda mais cuidado durante o processo de produção, uma escuta atenta dos percursos de um projeto necessário e que pode reverberar por muitos corações interessados no princípio ubuntu de humanizar ainda mais os nossos encontros”, conta Noguera.

“Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados” está em fase de pós-produção. O filme, que conta com investimento do FSA, é uma produção da Migdal Filmes com distribuição da Downtown Filmes.

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