Acesso a creches no Brasil se torna mais desigual entre ricos e pobres, diz estudo

Relatório realizado pelo Todos Pela Educação mostra que 2,3 milhões de crianças de até 3 anos estão fora da creche por falta de acesso
Duas crianças caminhando na frente de uma escola de Educação Infantil.

Duas crianças caminhando na frente de uma escola de Educação Infantil.

— Rovena Rosa/ Agência Brasil

11 de agosto de 2025

Entre 2016 e 2024, houve um aumento no acesso à creche entre crianças de famílias mais ricas no Brasil, o que resultou no crescimento da desigualdade nessa etapa da Educação Infantil em relação às famílias mais pobres. Os dados são do levantamento divulgado nesta segunda-feira (11) pela organização Todos Pela Educação.

O estudo foi realizado com base na análise da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C) e do Censo Escolar, e busca monitorar o acesso à Educação Infantil no país. A pesquisa também detalha desigualdades territoriais e socioeconômicas por estado e município.

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Segundo o relatório, que analisou a proporção de crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches, o avanço no atendimento foi lento nos últimos anos. Em 2024, 60% das crianças de famílias mais ricas tinham acesso à creche, enquanto entre as famílias mais pobres esse percentual era de apenas 30,6%.

O levantamento também aponta que o baixo percentual de atendimento entre as famílias mais pobres não está relacionado ao desinteresse. Cerca de 2,3 milhões de crianças de até três anos estão fora da creche por dificuldades de acesso, como a falta de vagas ou a inexistência de unidades próximas. 

Entre os mais pobres, 28,3% das famílias apontaram esses fatores como os principais obstáculos. Entre os mais ricos, esse número cai para 6,1%.

Conforme informações da análise, o atendimento a crianças de até três anos alcançou 41,2% em 2024, ainda distante da meta de 50% prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) para este ano.

Desigualdade nas regiões do país

Ainda segundo o estudo, o aumento da desigualdade ocorre porque famílias com maior poder aquisitivo conseguem matricular seus filhos em instituições privadas. Além disso, a expansão da rede pública não tem priorizado as áreas mais vulneráveis das cidades, o que contribui para manter o desequilíbrio.

Nas disparidades regionais, as regiões norte e nordeste apresentam os piores indicadores, tanto no acesso à creche quanto na pré-escola. Em 2024, o estado de São Paulo registrou a maior taxa de atendimento em creches com 56,8%, enquanto o Amapá teve a menor, de 9,7%. 

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  • Thayná Santana

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