Entre os anos de 2011 e 2025, as mulheres negras brasileiras foram a maioria das vítimas de racismo nas redes sociais. As informações são da pesquisa “Brasil, mostra sua cara: retrato das vítimas de racismo online e o anonimato de seus agressores”, do Aláfia Lab.
Com dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação (LAI) e pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), o levantamento analisa as notificações de racismo on-line registradas no Disque 100, canal oficial para denúncias de violações de direitos humanos.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Das 1.738 ocorrências observadas, 61% foram denunciadas por mulheres e 37% por homens. A pesquisa ressalta a predominância de casos entre mulheres negras de 18 a 40 anos. Apenas um banco de dados havia informações sobre pessoas LGBTQIAPN+, o que impossibilitou a análise detalhada desse grupo.
Em 1.063 casos, foi possível identificar a cor das vítimas. Do total, 91% (967) se referem a pessoas negras, das quais 66,5% são pretas e 24,5% são pardas.
Cerca de 27% das vítimas possuíam de 25 a 30 anos. A segunda faixa etária mais afetada é de 31 a 40 anos (22%), seguida dos jovens de 18 a 24 anos (21%). O levantamento sugere que há uma concentração de vítimas entre jovens e adultos em idade economicamente ativa.
De acordo com a pesquisa, os homens representam a maior parte dos suspeitos de autoria dos crimes, reunindo 55%. Embora apareçam como principais suspeitos, as autoras mulheres somaram 44% da autoria das violações.
Além do recorte de gênero, o levantamento também destaca que pessoas brancas formam o perfil racial majoritário dos denunciantes, com a autoria em 70,85% dos casos. Em 28,62% das denúncias, o autor era negro.