O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou nesta terça-feira (26), em Genebra, Suíça, um painel de alto nível sobre os impactos do racismo na democracia. O encontro reuniu autoridades, especialistas e representantes de diversos países, que analisaram como práticas discriminatórias reduzem a participação de grupos marginalizados em processos públicos e políticos.
Representando o Brasil, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou que a prosperidade da democracia depende da eliminação das desigualdades sistêmicas que, historicamente, afastaram afrodescendentes, povos indígenas, mulheres e outras comunidades da tomada de decisões.
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Em sua intervenção, feita em inglês, destacou que o Brasil tem papel de destaque na construção de resoluções internacionais que hoje orientam o mundo. Para a ministra, justiça racial e democracia são indissociáveis. Anielle defendeu políticas internacionais que promovam igualdade racial, ampliam a representação política e combatam tanto o discurso de ódio como a violência racial.
Desafios apontados pela ONU
A vice alta comissária para os Direitos Humanos da ONU, Nada Al-Nashif, reforçou que o racismo, a xenofobia e a intolerância estão presentes nas estruturas democráticas e em seus discursos. Segundo ela, essa realidade ameaça os fundamentos da democracia e enfraquece a coesão social.
Al-Nashif alertou ainda para a propagação de narrativas nocivas e desumanizadoras que alimentam o medo, dividem sociedades e incitam ódio e violência. Esses ataques têm como alvo migrantes, refugiados, povos indígenas, descendentes de africanos, além de grupos roma e sinti — dois grandes grupos que compõem os povos ciganos.
A alta comissária também chamou atenção para o uso das redes sociais e de tecnologias de inteligência artificial como ferramentas de manipulação da opinião pública e exploração de medos sociais. Afirmou ainda que, em alguns países, líderes políticos têm incentivado abertamente a discriminação para obter ganhos eleitorais.
O painel contou com mais de 40 oradores, que apresentaram propostas para enfrentar o racismo por meio de legislações, políticas públicas e planos de ação.
Entre os exemplos citados, dados da Comissão Interamericana de Direitos Humanos revelaram que barreiras estruturais e a violência de gênero continuam a dificultar a participação política das mulheres, especialmente em sociedades marcadas por heranças do colonialismo e da escravidão.
Al-Nashif mencionou ainda a pesquisa de uma organização internacional da sociedade civil sobre a União Europeia. O estudo identificou que, entre 2019 e 2024, apenas 4% dos membros do Parlamento Europeu se autodeclaravam pertencentes a minorias raciais ou étnicas, percentual considerado desproporcional em relação à composição demográfica da região.