Alma Pretinha reúne reportagens sobre infância negra e se fortalece com apoio de leitores

Portal pioneiro em jornalismo para a primeira infância negra precisa de você para seguir existindo; sua assinatura no Catarse é mais que um apoio: é um ato antirracista
Duas crianças negras se abraçando.

Duas crianças negras se abraçando.

— Reprodução/Freepik

28 de agosto de 2025

O Alma Pretinha, site lançado pela Alma Preta Jornalismo, reúne reportagens, análises, podcasts e materiais didáticos voltados à primeira infância, com ênfase no recorte racial. A proposta é centralizar conteúdos sobre educação, saúde, desenvolvimento, política pública e cultura, trazendo dados, literatura e orientações para famílias e educadores.

Para a sócia-diretora Elaine Silva, o projeto responde a uma lacuna histórica no jornalismo brasileiro. “Criar um espaço voltado para a primeira infância na Alma Preta é uma iniciativa importante para promover a equidade social e o acesso a uma educação de qualidade desde os primeiros anos de vida”, afirma.

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As editorias do site estão divididas em educação, saúde, desenvolvimento, primeira infância e política pública. Entre os temas tratados estão saúde bucal, protagonismo negro, autorreconhecimento e saúde das crianças indígenas. Para Elaine, o espaço fortalece representatividade e autoestima. 

“A Alma Preta pode ser um lugar onde as crianças negras se veem representadas, aprendem sobre sua história, suas raízes e a importância de sua identidade cultural. Isso contribui para autoestima, pertencimento e resistência contra estigmas e discriminação”, conclui.

O olhar do repórter

Jean Albuquerque, principal repórter do Alma Pretinha, vê na editoria uma forma inédita de centralizar a infância negra no jornalismo. Formado em Jornalismo e Letras, morador da periferia de Maceió (AL) e pai de um adolescente, Jean afirma que suas experiências pessoais e acadêmicas influenciam a abordagem das pautas.

“O grande ganho da editoria Alma Pretinha é que, até então, não existia algo tão direcionado à infância negra. O racismo atravessa a vida das crianças desde os primeiros anos, influenciando autoestima, identidade e acesso a direitos básicos. Enfrentar o racismo nesse período é garantir cuidado, representatividade e proteção”, explica.

Na rotina da editoria, Jean relata que temas como saúde mental, educação e racismo exigem escuta atenta e cuidado ético. Ele entrevista psicólogos, pesquisadores, educadores e acompanha a produção científica, cruzando dados para mostrar que os casos não são isolados.

Além de especialistas, há prioridade em ouvir famílias e comunidades negras. “O que diferencia a Alma Pretinha é o recorte racial. Não tratamos a infância como um tema neutro. Partimos do entendimento de que raça atravessa todas as fases da vida, inclusive os primeiros seis anos”, explica.

Jean afirma que o processo de apuração inclui escuta de psicólogos, educadores e pesquisadores, além do contato com famílias negras. A proposta é construir reportagens que denunciem desigualdades sem expor os personagens de forma violenta, apresentando-os com dignidade e potência.

Reportagens que marcaram

Entre as produções da editoria, Jean destaca três reportagens que exemplificam a proposta do Alma Pretinha. A primeira foi um especial de Dia dos Pais que mostrou como homens negros ressignificam a paternidade e fortalecem vínculos afetivos com os filhos. A matéria desconstruiu o mito do “pai ausente” e trouxe o coletivo Pais Negros Presentes, do Rio de Janeiro, como exemplo de iniciativa que promove reflexões sobre paternidade.

Outra investigação abordou o racismo algorítmico e seus efeitos sobre crianças negras no ambiente digital. A reportagem analisou como filtros de rosto, recomendações e bloqueios em plataformas reproduzem discriminações, afetando diretamente a autoimagem infantil.

A terceira produção destacada tratou da neurodiversidade, com foco em crianças negras com síndrome de Down. O trabalho mostrou como a invisibilidade e o racismo influenciam o desenvolvimento dessas crianças e reuniu relatos de familiares e especialistas para discutir inclusão, afetividade e respeito às singularidades.

Apoio que garante continuidade

Para Jean, o apoio dos leitores é decisivo. “Assinem. Apoiem para que possamos produzir mais pautas qualificadas sobre infância negra. A primeira infância influencia toda a vida adulta, e trazer o recorte racial é fundamental em um país de maioria negra”, afirma.

A contribuição mensal via Catarse garante a manutenção do Alma Pretinha e de outras iniciativas da Alma Preta. Com o apoio dos assinantes, o jornalismo independente da agência se fortalece, amplia seu alcance e sustenta a produção de reportagens que trazem a infância negra para o centro do debate público.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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