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Ruanda recebe primeiros migrantes deportados dos EUA em acordo controverso

Sete pessoas chegaram a Kigali em agosto dentro do pacto firmado entre os dois países; acordo permite deportação de até 250 migrantes para o país africano
O presidente dos EUA, Donald Trump, entrega suas moedas de desafio ao ministro das Relações Exteriores de Ruanda, Olivier Nduhungirehe, durante uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, em 27 de junho de 2025.

O presidente dos EUA, Donald Trump, entrega suas moedas de desafio ao ministro das Relações Exteriores de Ruanda, Olivier Nduhungirehe, durante uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, em 27 de junho de 2025.

— Andrew Caballero-Reynolds/AFP

28 de agosto de 2025

O governo de Ruanda confirmou que o primeiro grupo de sete migrantes deportados pelos Estados Unidos chegou ao país no início de agosto. O acordo assinado entre Kigali e Washington prevê a transferência de até 250 pessoas, desde que cada caso seja avaliado e aprovado pelas autoridades ruandesas.

De acordo com a porta-voz do governo, Yolande Makolo, três dos recém-chegados manifestaram interesse em retornar aos seus países de origem, enquanto outros quatro pretendem permanecer em Ruanda e iniciar uma nova vida. As identidades e nacionalidades dos deportados não foram reveladas.

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Makolo ainda informou que os migrantes estão sob responsabilidade de uma organização internacional, com acompanhamento da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e de serviços sociais ruandeses. Um porta-voz da OIM confirmou a visita às pessoas recém-chegadas, mas não deu mais detalhes além da avaliação de suas necessidades básicas.

O governo ruandês declarou que os deportados terão acesso a treinamento, cuidados de saúde e acomodação.

Contexto do acordo e reações internas

O pacto foi anunciado em 5 de agosto, quando Kigali afirmou que aceitaria até 250 migrantes dos Estados Unidos. Washington tem buscado ampliar a política de deportações para terceiros países sob a administração de Donald Trump, que também negociou arranjos semelhantes com Sudão do Sul e Essuatíni.

Em 2022, Ruanda havia firmado um acordo para receber migrantes indesejados do Reino Unido. O plano, no entanto, foi suspenso quando Londres mudou de governo, após enfrentar críticas de organizações de direitos humanos e batalhas judiciais prolongadas.

Um ativista ruandês, sob anonimato por causa do ambiente restritivo à dissidência no país, afirmou que o acordo com os Estados Unidos está ligado a interesses financeiros e à busca de influência política. Segundo ele, a aceitação dos deportados pode oferecer vantagens a Kigali nas negociações de paz sobre a crise no leste da República Democrática do Congo (RDC), onde atua o grupo armado M23, apoiado por Ruanda, segundo acusam autoridades congolesas.

Especialistas em direitos humanos alertaram que este tipo de arranjo pode violar normas internacionais, já que pessoas deportadas podem ser enviadas a países onde correm risco de perseguição, tortura ou outras formas de violência.

O governo ruandês justificou a adesão ao acordo com os Estados Unidos afirmando que quase todas as famílias do país já enfrentaram deslocamentos forçados, sobretudo no período do genocídio de 1994.

Hoje, Ruanda tem aproximadamente 13 milhões de habitantes e se apresenta como um dos países mais estáveis da África. No entanto, o governo do presidente Paul Kagame é frequentemente acusado por entidades internacionais de violações de direitos humanos, repressão à oposição política e restrição à liberdade de imprensa.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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