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Ruanda anuncia acordo para aceitar 250 imigrantes deportados dos EUA

No centro, o presidente de Ruanda, Paul Kagame, participa de cúpula ao lado de lideranças africanas para dicutir o conflito em curso na República Democrática do Congo (RDC), em Dar es Salaam, Tanzânia, 8 de fevereiro de 2025

No centro, o presidente de Ruanda, Paul Kagame, participa de cúpula ao lado de lideranças africanas para dicutir o conflito em curso na República Democrática do Congo (RDC), em Dar es Salaam, Tanzânia, 8 de fevereiro de 2025

— Ericky Boniphace/AFP

7 de agosto de 2025

Na terça-feira (6), o governo de Ruanda anunciou um acordo com Washington para receber 250 imigrantes deportados dos EUA, segundo declaração da porta-voz do governo ruandês, Yolande Makolo, à agência AFP. Apesar do anúncio, não foram divulgados mais detalhes sobre a decisão.

Ainda segundo Makolo, Kigali manterá o poder de decisão sobre quais indivíduos serão aceitos. Para ele, implementar as novas políticas de imigração da Casa Branca são uma “prioridade máxima”. Apesar das declarações, o Departamento de Estado dos EUA não confirmou o acordo à AFP, sinalizando apenas que os dois governos estão trabalhando em uma série de “prioridades mútuas”. 

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Recentemente, o presidente estadunidense, Donald Trump, negociou acordos com uma série de países para deportar imigrantes sem documentação detidos por Washington. O acordo mais conhecido é com El Salvador, mas países africanos como Sudão do Sul, Essuatíni e agora Ruanda também têm acordos do tipo.

Desde seu retorno à Casa Branca, Trump direciona esforços para acelerar a deportação de imigrantes sem documentação, mesmo para países que não são os de origem. Dezenas de venezuelanos, por exemplo, foram deportados para El Salvador, país que vem sendo denunciado por violações de direitos humanos no tratamento de prisioneiros. No caso do Sudão do Sul, oito imigrantes foram enviados dos EUA ao país, sendo apenas um deles sul-sudanês.

O governo Trump defende a política com alegações de que os países de origem dos imigrantes deportados não os têm aceitado de volta em algumas ocasiões. O republicano tem fomentado um discurso de ódio contra imigrantes nos EUA desde sua campanha de reeleição, com aumento de detenções e deportações de imigrantes no país.

O anúncio do acordo entre ruandeses e a Casa Branca ocorre após o cancelamento de um acordo semelhante entre Kigali e o Reino Unido, de dezembro de 2023, no qual Ruanda receberia imigrantes ilegais do governo britânico em uma operação que envolvia cifras milionárias.

O acordo com os britânicos foi recebido com críticos de grupos de direitos humanos, somando-se a acusações de violações contra o governo do presidente ruandês, Paul Kagame. Além das acusações internas de perseguição contra adversários políticos, Kigali sofre críticas pelo apoio militar ao grupo armado M23, que atualmente ocupa regiões no leste da República Democrática do Congo em uma guerra que já deixou milhões de vítimas, entre mortos e deslocados.

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