“Quando a polícia mata suspeitos negros desarmados, essas mortes são associadas a uma queda significativa na saúde mental dos negros.” — Jennifer L. Eberhardt
Lidar com o racismo é um processo atroz e complexo. Exaustivo, diria. As batalhas que nós, negros, enfrentamos são diárias e ininterruptas. Aqueles que têm consciência do racismo e estudam o tema, apresentam um aditivo às camadas de sofrimento interior.
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Nesse percurso, surgem os bem-intencionados, aliados antirracistas, lamentando as violências. Eles trazem palavras de apoio, mas, sejamos sinceros, essa solidariedade verbal não resolve os problemas. Estamos cansados de conversas, promessas e poucas ações concretas.
Esses brancos, na condição de beneficiários do racismo, não têm uma compreensão realista dos problemas enfrentados por nós. A opinião dessas pessoas se pauta na dimensão visível do racismo, os danos à saúde mental, em muitos casos até irreversíveis, não entram nas observações.
No interior de cada negro existe um amálgama de sentimentos, moldando as tomadas de decisão e nos adoecendo gradualmente, como explicou a psicóloga e psicanalista Maria Lúcia da Silva: “O racismo estrutural atravessa todos os aspectos da vida social — da moradia à educação, da saúde à justiça — e impõe uma carga constante de estresse psíquico às pessoas negras”. Dito isso, confirma-se que as condições objetivas estão diretamente relacionadas ao estado de nossa saúde mental.
Importante também dizermos que são situações resultantes dos efeitos de uma abolição que não proporcionou, aos ex-escravizados, reparações para que permitissem sobreviver com dignidade na sociedade que se anunciava. O novo continuou velho, impactando todas as gerações após o dia 13 de maio de 1888.
Portanto, as pessoas que querem transformar a sociedade num território fraterno devem parar com discursos inócuos. O antirracista precisa nutrir em seu âmago o senso de justiça social. E mesmo reconhecendo limitações diante das condições estruturais, coloque os próprios privilégios a serviço da comunidade negra.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 2025]. Disponível aqui. Acesso em: 31 ago. 2025.
SILVA, Maria Lúcia da. Racismo impacta profundamente a saúde mental de pessoas negras, diz psicanalista. Entrevista concedida a Walber Pinto. CUT – Central Única dos Trabalhadores, 22 maio 2023. Disponível aqui. Acesso em: 31 ago. 2025.