A desnutrição infantil na Faixa de Gaza alcançou em agosto níveis inéditos, em comparação com o início do ano. A informação é do relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado nesta quinta-feira (11), em meio ao avanço dos ataques de Israel na região.
Segundo o Unicef, o percentual de crianças diagnosticadas com desnutrição aguda saltou de 8,3% em julho para 13,5% em agosto. Na cidade de Gaza, o índice chegou a 19%.
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No total, 12.800 crianças foram identificadas como gravemente desnutridas em agosto, contra 13 mil em julho. Apesar da diminuição nos números absolutos, estudo alerta que o número reflete apenas a queda na capacidade de triagem, impactada pelo fechamento de dez centros de tratamento em razão da ofensiva militar.
O relatório destaca que 23% das crianças internadas no mês de agosto sofriam de desnutrição aguda grave, a forma mais severa da doença. Em fevereiro deste ano, o índice era de 12%.
Além de crianças pequenas, mulheres grávidas e lactantes enfrentam riscos elevados. Um em cada cinco bebês já nasce prematuro ou abaixo do peso. O relatório também ressalta que, mesmo com a entrada limitada de produtos comerciais e leve redução nos preços, bens essenciais seguem inacessíveis às famílias mais vulneráveis.
Em nota à imprensa, a diretora-executiva do Unicef, Catherine Russel, ressalta que a escalada dos conflitos militares ampliou a vulnerabilidade da população infantil.
“Os serviços de nutrição devem ser protegidos em toda Gaza. Nenhuma criança deve sofrer de desnutrição, que é algo que podemos prevenir e tratar quando temos acesso e podemos prestar os serviços com segurança”, afirmou Russel.
A escalada da desnutrição infantil ocorre em meio aos ataques de Israel contra a Faixa de Gaza, iniciados em outubro de 2023, que já levou a comunidade internacional a denunciar o país por genocídio na Corte Internacional de Justiça. A devastação causada pela ofensiva militar também comprometeu serviços básicos e atrasou o desenvolvimento da região em mais de seis décadas, segundo organismos da ONU.