O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta segunda-feira (15), em Brasília, da 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir). O encontro, promovido pelo Ministério da Igualdade Racial, tem como tema “Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Racial” e marca a retomada da participação da sociedade na construção de políticas públicas de enfrentamento ao racismo.
Em seu discurso, Lula criticou o genocídio de jovens e mulheres negras nas periferias, principais vítimas da violência policial. “Não podemos tolerar que jovens negros da periferia continuem a ser alvos preferencias das forças de repressão”.
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O presidente relembrou que, há 20 anos, era realizada a primeira edição da conferência, que consolidou instrumentos fundamentais para a promoção da igualdade racial no país.
“Para nós, a promoção da igualdade racial era, e segue sendo, um compromisso ético, mas também uma diretriz política e econômica de desenvolvimento, condição necessária para consolidarmos a democracia num contexto em que a parcela mais pobre da população, em sua maioria, é negra e esteve historicamente excluída de seus direitos mais elementares”, afirmou.
Dívida histórica
Lula destacou ainda que a implementação de políticas afirmativas é uma forma concreta de reparação da dívida histórica com a população negra, citando o contexto escravocrata do Brasil durante o período colonial e como a última nação a abolir o tráfico transatlântico de pessoas.
“Ao longo de cinco séculos a concentração de riqueza na mão de poucos, com a exclusão social e econômica da população negra, deu origem ao gigantesco abismo social”, afirmou.
O presidente também defendeu a participação social como central para a construção de políticas públicas eficazes. “Seremos mais assertivos quanto mais considerarmos os anseios, propostas e prioridades daqueles para os quais as políticas se destinam”, disse.
Apesar dos avanços citados, como ações afirmativas e a inclusão da população negra em programas sociais, Lula lembrou que o racismo ainda é uma realidade no Brasil.
“Um imaginário que insiste em colocar pessoas negras em um único lugar, normalmente no lugar de serviçal, quando não de uma ameaça”, afirmou.
A abertura da conferência também contou com a participação de diversas autoridades como a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo; a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; da Cultura, Margareth Menezes; e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.