A exposição “Constituinte do Brasil Possível”, realizada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília, entre agosto e setembro de 2025, recebeu mais de 3 mil visitantes, ampliando para cerca de 31 mil o público total somado à edição anterior, no Rio de Janeiro. Ao longo de quase dois meses, passaram pelo espaço 32 escolas e instituições, reunindo cerca de 1.500 estudantes, além de servidores públicos, visitantes espontâneos e pessoas em situação de rua.
Entre os visitantes, estiveram estudantes do ensino fundamental e médio e universitários de instituições de ensino como a Uiversidade de Brasília (UnB) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Também participaram servidores públicos, professores, artistas, comunidades rurais, assentamentos,além de grupos em situação de vulnerabilidade social acompanhados pelo Consultório na Rua. A programação contou com mediações, rodas de conversa, oficinas de colagem conduzidas pelos artistas Pamella Wylla e Emerson Caldas e encontros formativos sobre arte e educação antirracista.
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A mostra faz parte do Linha de Cor, projeto transmídia idealizado pela artista visual e cineasta Mariana Luiza, que investiga as relações entre direito, memória e racismo estrutural no Brasil. O projeto nasceu a partir do longa-documentário “A Cor da Margem” e hoje se desdobra em múltiplas frentes, como uma pesquisa acadêmica, website, programa educativo, exposição e o filme.
“O Linha de Cor nasce da urgência de explicitar como as normas jurídicas fundamentaram o racismo no Brasil. Mas não se trata apenas de denunciar: é também uma disputa pelos imaginários que foram silenciados, para que possamos reconstituir memórias, reconhecer resistências e projetar caminhos de bem viver”, destaca Mariana Luiza.
O site do projeto amplia o alcance dessas discussões ao disponibilizar gratuitamente uma linha do tempo organizada a partir do mapeamento de mais de 120 verbetes jurídicos, que evidenciam o caráter racista de leis e projetos políticos formulados desde 1823 até a Constituição de 1988; verbetes históricos e ações de resistência que revelam como a população negra, de forma individual e coletiva, enfrentou tais dispositivos; além de planos de aula gratuitos destinados a educadores, concebidos para subsidiá-los no cumprimento das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 em práticas pedagógicas, tanto no ambiente escolar quanto em outros espaços educativos.
A pesquisa é coordenada pelas professoras Ana Flávia Magalhães Pinto (UnB) e Thula Pires (PUC-Rio), com uma equipe 100% negra composta por mais de 90 pessoas — entre elas doutores, doutorandos e mestrandos em direito e história.