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Plataforma mapeia desigualdade racial no ensino fundamental

Mapa de Dados contém recorte dos anos finais do Ensino Fundamental, etapa com grande representatividade de jovens negros e que exige ações urgentes
Imagem mostra alunos de costas em uma sala de aula, com duas professoras.

Imagem mostra alunos de costas em uma sala de aula, com duas professoras.

— Tânia Rêgo/Agência Brasil

21 de outubro de 2025

O Instituto DACOR lançou uma plataforma inédita que une tecnologia social e digital para evidenciar informações oficiais capazes de auxiliar no combate às desigualdades raciais na educação, trabalhando com o mapeamento e recortes racializados dos dados.

Gestores educacionais, professores, pesquisadores e público em geral podem usar o Mapa de Dados para entender como é possível identificar os efeitos do racismo e como se manifesta nos Anos Finais do Ensino Fundamental e na vida social mais ampla de adolescentes negros no país. No caso dos dados educacionais, também será possível investigar como isso se processa nas diferentes regiões.

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“O Mapa de Dados tem a intenção de ser referência para qualquer pessoa que busque dados sobre o racismo e a população negra em nosso país e visa trazer evidências que possam ajudar na investigação de algumas causas de como podemos avançar nas ações antirracistas, sob uma perspectiva além da mera constatação das desigualdades”, conta Helton Souto, presidente do Instituto DACOR.

De acordo com o instituto, os anos finais do Ensino Fundamental precisam de uma leitura racializada pela alta representatividade dos estudantes negros (56,9%, de acordo com o Censo Escolar 2024), por abrigar mais da metade dos estudantes negros matriculados na escola pública, e por abrigarem adolescentes que vivenciam um conjunto de transformações pessoais, sociais, físicas e socioemocionais durante esse período específico de suas vidas.

Além disso, trata-se de uma etapa que, historicamente, teve menor atenção de políticas públicas por estar na transição entre os Anos Iniciais e o Ensino Médio, etapas que vêm ocupando uma posição de maior atenção por parte de governos e gestores. Nesse sentido, o EFAF (sigla para Ensino Fundamental Anos Finais) constitui um campo que necessita de análises e investigações mais amplas e profundas, condição que se evidencia ainda mais quando se fala em aspectos raciais.

Esse desejo de análise e de aprofundamento permite dialogar com políticas nacionais mais recentes e focadas nessa etapa de ensino e de vida dos estudantes, como a Escola das Adolescências e a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).

Para o instituto, o que está em questão também nessa fase envolve a proteção de vidas de jovens pretos e pardos: entre adolescentes de 12 a 17 anos vítimas de Mortes Violentas Intencionais (MVI), 85.1% são negros e 14.4% são brancos. Em 2024, quatro a cada cinco adolescentes brasileiros vítimas de MVI eram negros.

Quanto ao desempenho puramente acadêmico, os dados revelam que, mesmo com taxas de aprovação relativamente altas, persistem disparidades raciais significativas, especialmente na rede pública. Isso indica a necessidade de políticas educacionais focalizadas que abordem as barreiras específicas enfrentadas por estudantes negros. Em uma análise interativa de desempenho educacional possibilitada pelo Mapa de Dados, os dados do SAEB (2021) mostram que o percentual de estudantes no nível adequado em Matemática era de 43,8% para brancos, somente 21,7% para pretos e 27,2% para pardos. Em Português, níveis semelhantes de disparidade são constatados.

Rigor científico com sensibilidade social

Diante dos desafios da população negra adolescente tanto na escola quanto na vida social mais ampla, o Mapa de Dados é uma ferramenta viva e que tem um caráter de estar em constante transformação, agregando novos dados, iniciativas e análises para que ele possa servir de referência para tomadas de decisão que mudem essa realidade. Daí a importância de atuar com rigor científico e com o cruzamento de diferentes dados e fontes, para que seja possível ter informações mais robustas e que permitam decisões também consistentes.

A ferramenta contém uma Cartografia Social Dinâmica, mapeamento que vai além dos números, revelando histórias e contextos; uma Abordagem Interseccional, para a compreensão das múltiplas opressões que afetam jovens negros; uso de Dados como Narrativa, ou seja, a transformação de estatísticas em histórias que mobilizam ação.

“Nos últimos cinco anos, houve, sem dúvida, um avanço em relação ao acesso quanto às evidências sobre o racismo. No entanto, entendemos que ainda é preciso ampliar a nossa capacidade de análise dos dados e de seu uso para as devidas tomadas de decisão”, continua Helton.

Trata-se de uma ferramenta interativa para amparar o desenvolvimento de políticas afirmativas onde são mais urgentes. O presidente do Instituto DACOR conclui que “apesar dos avanços no acesso a evidências sobre o racismo, ainda é preciso ampliar a capacidade de análise e uso dos dados para ações antirracistas eficazes, evitando o risco de apenas constatar as desigualdades sem aprofundar a análise para políticas e ações transformadoras”.

Confira o Mapa de Dados aqui.

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