COP30: UNICEF cria sala de aula em estufa para alertar como o calor afeta o aprendizado das crianças

A montagem "Estufa Improvável" simula sala de aula a 38°C para demonstrar o impacto das ondas de calor na concentração, frequência e desempenho escolar de estudantes em diversos países
Instalação "Estufa Improvável", do UNICEF, em Brasília.

Instalação "Estufa Improvável", do UNICEF, em Brasília.

— Erick Borges/UNICEF

11 de novembro de 2025

No primeiro dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou um alerta global: as mudanças climáticas estão alterando o acesso e a permanência de crianças e adolescentes na escola. 

Dados do órgão revelam que o desempenho escolar diminui à medida que a temperatura sobe. Pelo menos 242 milhões de estudantes em 85 países tiveram a vida escolar impactada por eventos do clima em 2024. No mesmo ano, as altas temperaturas foram o principal motivo para o fechamento de escolas, o que afetou mais de 118 milhões de estudantes apenas em abril.

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Cada aumento de 0,5°C no ambiente pode reduzir o rendimento dos estudantes em cerca de 1%. Em salas de aula onde a temperatura é de 35°C, os estudantes têm mais dificuldade de concentração, sentem maior cansaço e apresentam produtividade menor do que em ambientes entre 20°C e 25°C.

Para tornar o problema perceptível de forma direta, o UNICEF inaugurou, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, a instalação “Estufa Improvável”.

A estrutura reproduz uma sala de aula com temperatura de 38°C. A proposta é demonstrar como, em períodos de calor extremo, o ambiente escolar se torna inadequado para atividades pedagógicas. A instalação ocorre enquanto chefes de Estado, negociadores, organizações científicas e representantes da sociedade civil se reúnem no Brasil para discutir metas climáticas e financiamento internacional.

Sala de aula transformada em estufa

A ideia da intervenção é mostrar que temperaturas elevadas podem tornar inviável o funcionamento cotidiano de escolas. Em diversas regiões, o calor afeta diretamente o corpo de crianças e educadores, reduzindo a capacidade de concentração e alterando o ritmo de aprendizagem.

“Crianças são mais vulneráveis a eventos climáticos, como ondas de calor, enchentes e secas. O calor excessivo reduz a atenção e dificulta a permanência em sala de aula. Em algumas localidades, estudantes sequer conseguem chegar à escola quando rios secam ou quando o trajeto é interditado por enchentes”, afirmou em comunicado de imprensa Mônica Dias Pinto, chefe de Educação do UNICEF no Brasil.

Segundo ela, é necessário que governos adaptem as escolas às condições climáticas atuais, reconstruam unidades localizadas em áreas de risco e desenvolvam mecanismos para garantir acesso contínuo ao ensino.

Além da vivência na instalação, crianças que visitarem a “Estufa Improvável” participarão de atividades pedagógicas em suas escolas no dia 11 de novembro, com foco na relação entre clima, ambiente escolar e direitos da infância. O projeto foi desenvolvido pela agência Artplan e pela produtora Genco.

Para os criadores da ação, a experiência direta facilita a compreensão do tema. “Uma sala supera o discurso. Sentir o calor permite compreender o impacto com maior clareza”, afirmam Pedro Rosas e Pedro Galdi, diretores de criação da Artplan.


Atualmente, um terço das crianças do mundo enfrenta, em média, de quatro a cinco ondas de calor por ano. Se nada for feito, a projeção é que, até 2050, quase todas as crianças do planeta, cerca de 2,2 bilhões, estarão expostas a ondas de calor frequentes.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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