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Lideranças indígenas conseguem audiência com ministras e presidente da COP30 após protestos na Blue Zone 

Em novo protesto, indígenas de diversas etnias reivindicaram que suas vozes fossem ouvidas pelas autoridades da COP30; a Alma Preta esteve no local e acompanhou a manifestação
Foto: Solon Neto/Alma Preta

Força Nacional diante da manifestação de indígenas em frente à Blue Zone nesta sexta-feira (14).

— Foto: Solon Neto/Alma Preta

14 de novembro de 2025

Belém e São Paulo – Após protesto no final da manhã desta sexta-feira (14), lideranças indígenas conseguiram uma reunião com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e com o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, entre outras autoridades e representantes de entidades.

O protesto ocorreu na entrada principal da COP30, bloqueada imediatamente por um grupo de militares do Exército e da Força Nacional. Após mediação do secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, o grupo se dirigiu ao auditório do Tribunal de Justiça do Pará, próximo à sede do evento.

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Entre as principais demandas do grupo estava o acesso à chamada Blue Zone (Zona Azul), que exige um tipo de credenciamento alvo de críticas de movimentos sociais.

“Nós não admitimos uma COP30 que é no nosso estado, na nossa casa, sem a nossa participação”, afirmou à Alma Preta Lucas Rocha Marinho Tupinambá, uma das lideranças da comitiva indígena.

Mulheres indígenas se reúnem na entrada da Blue Zone para pressionar negociação com o governo, Belém, 14 de novembro de 2025. (Foto: Vinicius Martins/Alma Preta)

Os manifestantes reivindicavam que suas vozes fossem ouvidas pelas autoridades da COP30. Para isso, o protesto foi realizado na entrada da Zona Azul, na qual ocorrem as negociações oficiais da Cúpula de Líderes e onde circulam autoridades nos pavilhões nacionais.

“Queremos participação ativa nas discussões que estão acontecendo na Zona Azul. Nós somos os verdadeiros responsáveis por manter a Amazônia de pé e, por esse sentido, nós gostaríamos de ser ouvidos”, afirmou a liderança.

Entre os manifestantes, estavam presentes representantes de pelo menos 14 povos da região, principalmente do Baixo Tapajós, com apoio do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) e do Conselho Indígena Tupinambá (CITUPI). Os membros do grupo chegaram a viajar por três dias para chegar ao local.

Um dos membros da caravana é o cacique Gilson Tupinambá, que enumera as principais demandas dos povos indígenas, descritos por ele como quem “conserva a floresta, o rio e os animais”.

“Nós viemos aqui para tentar ter um avanço na nossa educação, saúde e também na demarcação territorial e na proteção da floresta. Que essa lei, esse decreto 12.600, seja revogado pelo presidente Lula, porque ele assinou esse decreto sem nos consultar. Estamos aqui fazendo essa reivindicação que é legítima”, elencou o cacique em entrevista à Alma Preta.

O Decreto 12.600, de 28 de agosto deste ano, oficializa a inclusão de três importantes hidrovias no Programa Nacional de Desestatização (PND). São elas a hidrovia do Rio Madeira, de aproximadamente 1.075 km entre Porto Velho (RO) e Itacoatiara (AM); a hidrovia do Rio Tocantins, de cerca de 1.731 km entre Belém e Peixe (TO); e a hidrovia do Rio Tapajós, trecho de 250 km entre Itaituba e Santarém (PA).

Indígenas e ribeirinhos temem que essa decisão do governo federal destrua seus territórios e seu modo de vida.

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O que é a COP?

A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.

O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30ª edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém.

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  • Solon Neto

    Cofundador e diretor de comunicação da agência Alma Preta Jornalismo; mestre e jornalista formado pela UNESP; ex-correspondente da agência internacional Sputnik News.

  • Camila Rodrigues da Silva

    Jornalista com mestrado em Economia e doutoranda em Demografia. Editora e repórter, com quase 20 anos de experiência em redações da grande imprensa e de veículos independentes de comunicação. Atuo na cobertura de direitos humanos desde 2012.

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