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Marcha Zumbi de 1995: há 30 anos, movimento negro colocou racismo na agenda nacional

Ato histórico em Brasília, que completa três décadas, levou 30 mil pessoas ao Planalto Central, resultou em políticas para a população negra e inspirou nova mobilização em São Paulo
Registro da Marcha Zumbi de 1995.

Registro da Marcha Zumbi de 1995.

— Reprodução/Fundação Perseu Abramo

20 de novembro de 2025

O 20 de novembro de 1995 entrou para a história como a primeira Marcha Zumbi contra o Racismo, pela Cidadania e pela Vida. Cerca de 30 mil pessoas ocuparam Brasília e entregaram ao governo federal um diagnóstico nacional sobre desigualdades raciais, acompanhado de reivindicações que exigiam respostas do Estado.

A mobilização marcou os 300 anos do assassinato de Zumbi dos Palmares e estabeleceu um divisor de águas: pela primeira vez, movimentos negros de todo o país — urbanos, rurais e quilombolas — atuaram de forma articulada para pressionar o governo a estruturar políticas de igualdade racial

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O ato denunciou a ausência de programas para enfrentar discriminação racial, denunciou violência policial, cobrou ações sobre educação, saúde, mercado de trabalho e proteção territorial quilombola, e colocou o Estado brasileiro diante de suas obrigações.

A ideia de tornar Zumbi um símbolo da consciência negra não nasceu em 1995. O marco remete aos anos 1970, quando militantes do Rio Grande do Sul propuseram a data como alternativa ao 13 de Maio. Na década seguinte, com a redemocratização, marchas regionais passaram a ocupar o 20 de Novembro em diversas cidades brasileiras.

O tricentenário da morte de Zumbi, em 1995, consolidou a oportunidade histórica para transformar mobilizações dispersas em um ato nacional com articulação política de alcance inédito.

A força plural da marcha de 1995

A marcha de 1995 reuniu movimentos urbanos e rurais, quilombolas, lideranças religiosas, povos de terreiro, movimentos de mulheres negras, jornalistas, sindicalistas, parlamentares negros e organizações antirracistas. 

Diversos setores apresentaram denúncias sobre violência policial, exclusão de direitos básicos, ausência de políticas para juventude negra, falta de proteção territorial e discriminação no mercado de trabalho. O documento entregue ao presidente consolidou essa leitura e cobrou ações concretas para enfrentar desigualdades estruturais.

Como desdobramento, o presidente na época Fernando Henrique Cardoso (PSDB) assinou um decreto no mesmo dia 20 de novembro, criando o Grupo de Trabalho Interministerial com a finalidade de “desenvolver políticas para a valorização da População Negra”.

O 20 de Novembro, antes reconhecido de forma fragmentada, ganhou projeção nacional como dia de mobilização política.

Três décadas depois: o legado volta às ruas de São Paulo

Nesta quinta-feira (20), São Paulo recebe a 22ª Marcha da Consciência Negra, que retoma o legado de 1995 ao adotar o tema “Zumbi e Dandara – 300 + 30 anos”. A concentração está prevista para às 11h, em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), na Avenida Paulista. 


A mobilização reúne movimentos negros e sindicatos com foco em temas que atravessam três décadas de denúncias e ainda demandam respostas estruturadas: genocídio da juventude negra, chacinas policiais, defesa de direitos sociais e construção de políticas de bem-viver.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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