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Entidade internacional denuncia falhas sistêmicas do Flamengo após morte de 10 jovens atletas em incêndio

Sport & Rights Alliance aponta negligência do clube nas condições do Ninho do Urubu e pede ação antes da Copa do Mundo Feminina de 2027
Fãs prestam homenagem aos jogadores vítimas da tragédia no Centro de Treinamento do Flamengo, o Ninho do Urubu.

Fãs prestam homenagem aos jogadores vítimas da tragédia no Centro de Treinamento do Flamengo, o Ninho do Urubu.

— Tomaz Silva/Agência Brasil

25 de novembro de 2025

O Sport & Rights Alliance (SRA), coalizão global de organizações de direitos humanos, emitiu um alerta sobre falhas sistêmicas de segurança no Flamengo que levaram à morte de dez jovens atletas no incêndio do Ninho do Urubu em 2019. O comunicado ocorre após a absolvição de dirigentes do clube em outubro de 2025.

A aliança internacional destacou que o Flamengo operava sem alvarás de bombeiro e abrigava atletas em contêineres inflamáveis. Andrea Florence, diretora da entidade, afirmou que os relatos sobre as condições da base são “incrivelmente alarmantes” e servem como “um lembrete urgente da necessidade de fortalecer medidas de segurança esportiva no Brasil”.

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A entidade afirmou que o resultado do julgamento contraria evidências de negligência e pediu ação urgente antes da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, que o Brasil sediará. O Ministério Público do Rio de Janeiro recorreu da decisão judicial, classificada por familiares das vítimas como um “retrocesso” e um “afronta à memória dos meninos“.

Histórico de irregularidades e alertas ignorados

Segundo reportagens citadas pela SRA, o Flamengo descumpriu normas municipais por anos, acumulou multas e chegou a responder a uma ação civil pública em 2015 por manter jovens atletas em alojamentos inadequados. Nada disso impediu a manutenção dos contêineres metálicos onde os adolescentes dormiam. As estruturas eram inflamáveis, sem alvará de funcionamento e com janelas gradeadas.

Após o incêndio, que matou meninos entre 14 e 16 anos, uma decisão judicial chegou a proibir a presença de crianças no centro de treinamento. Inspeções posteriores levaram à reabertura, mas sem sanar todas as críticas públicas sobre a infraestrutura. “O Flamengo operou estruturas que não atendiam o mínimo de segurança”, afirmou Andrea Florence, diretora-executiva da SRA.

Procurado, o clube não respondeu aos questionamentos enviados pela SRA sobre as condições dos alojamentos e as medidas adotadas desde a tragédia.

Alex Phillips, secretário-geral da Federação Internacional das Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPRO), classificou o caso como um marco trágico para o debate sobre exploração e negligência na formação de atletas. “A absolvição compromete a segurança de jovens jogadores no Brasil e em outros países”, afirmou.

Além do incêndio, denúncias recentes reforçam o quadro de precariedade. Em outubro de 2025, reportagem de Renata Mendonça, jornalista esportiva e comentarista do SporTV, expôs condições inadequadas do centro de treinamento da equipe feminina profissional do Flamengo, com pisos danificados, vestiários improvisados em contêineres e água escura saindo das torneiras. O clube também permaneceu em silêncio.

Pressão aumenta para a Copa Feminina de 2027

Como o Brasil será sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, a SRA afirma que o país precisa demonstrar que adotou padrões robustos de proteção a crianças e mulheres atletas, , especialmente diante da repercussão global do incêndio no Ninho do Urubu e da absolvição de dirigentes do Flamengo.

Para atender às exigências das entidades internacionais, o governo brasileiro é cobrado a implementar uma autoridade nacional independente responsável por monitorar a segurança no esporte. Também há demanda por protocolos claros de prevenção, mecanismos de denúncia acessíveis e normas rígidas para instalações que alojam menores.

Minky Worden, diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch (HRW), reforçou que o incêndio no centro de treinamento do Flamengo não deve ser tratado como um episódio isolado, mas como exemplo das consequências de um sistema que tolera riscos na formação de atletas. Segundo ela, o caso revela a urgência de reformas estruturais antes da realização do torneio mundial.

A SRA afirma que continuará pressionando por justiça e monitoramento. “A segurança de crianças e mulheres atletas é inegociável”, declarou a entidade.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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