PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Em São Paulo, espetáculo gratuito usa poética de Aimé Césaire em reflexão sobre racismo no Brasil

Nova temporada de “As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência” une as obras de Luigi Pirandello e Aimé Césaire para refletir sobre o racismo estrutural e as disputas por visibilidade no Brasil contemporâneo
Cena do espetáculo “As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência”

Cena do espetáculo “As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência”

— Marcelle Cerutti/Divulgação

11 de janeiro de 2026

A partir de 21 de janeiro volta aos palcos do TUSP o espetáculo “As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência”. A adaptação dramatúrgica articula o metateatro de Luigi Pirandello e a poética anticolonial de Aimé Césaire para e discutir o racismo estrutural no Brasil

O espetáculo retrata um grupo de funcionários negros de teatro que interrompem o ensaio de uma comédia de Pirandello e reivindicam o direito de narrar a própria história. A partir desse gesto, o espetáculo transforma o palco em campo simbólico de disputa entre os personagens discutindo visibilidade e apagamento, representação e existência.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Idealizado e dirigido por Anderson Negreiro e pela diretora colombiana Daniela Manrique, o projeto surgiu em 2021, quando o Negreiro trabalhou com o texto “E os cães se calavam”, tragédia de Aimé Césaire presente na coletânea de poemas “As Armas Milagrosas”. O contato com a obra do autor martinicano, um dos fundadores do movimento da negritude, foi revisitado posteriormente, a partir da releitura do clássico “Seis Personagens à Procura de um Autor”, de Luigi Pirandello.

Na foto, o poeta, dramaturgo e político, Aimé Césaire.
Na foto, o poeta, dramaturgo e político, Aimé Césaire (Foto: Reprodução)

“Percebi que aquelas personagens que entram pela coxia em busca de um autor, reivindicando a continuidade da própria existência, poderiam ser corpos reais — personagens da branquitude que, mais do que personagens ficcionais, lutam por existir e afirmar sua autoria no mundo”, afirmam os diretores, em nota à imprensa.

No espetáculo, o diretor substitui as seis personagens originais do texto de Pirandello por personagens presentes na obra de Césaire — o Rebelde, a Mãe e o Coro — representadas como funcionários de um teatro. Essas figuras deixam de ser personagens ficcionais e passam a ser corpos reais, racializados, que reivindicam o direito de existir e de se expressar por meio da arte.

Sem cenário fixo, a montagem utiliza um carpete e adereços pontuais, de modo que a iluminação se torna o principal elemento visual e narrativo.

Cena do espetáculo “As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência”
Cena do espetáculo “As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência” (Foto: Marcelle Cerutti/Divulgação)

“A peça se constrói como um ensaio interrompido, em que as figuras negras reivindicam sua presença e impõem novas vozes à cena. O resultado é um teatro de conflito e exposição que desloca as hierarquias entre quem é visto e quem é invisibilizado”, diz nota da assessoria do espetáculo.

O espetáculo é gratuito, tem duração de 120 minutos e exige retirada dos ingressos até uma hora antes de cada sessão. A peça estará em cartaz de 21 de janeiro a 8 de fevereiro e será exibida de quarta-feira a sábado, às 20h, e nos domingos e feriados, às 16h. Uma sessão extra está programada para o dia 31 de janeiro também às 16h. A classificação indicativa é de 14 anos. O TUSP fica localizado na rua Maria Antônia, 294, na Vila Buarque.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano