A partir de 21 de janeiro volta aos palcos do TUSP o espetáculo “As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência”. A adaptação dramatúrgica articula o metateatro de Luigi Pirandello e a poética anticolonial de Aimé Césaire para e discutir o racismo estrutural no Brasil
O espetáculo retrata um grupo de funcionários negros de teatro que interrompem o ensaio de uma comédia de Pirandello e reivindicam o direito de narrar a própria história. A partir desse gesto, o espetáculo transforma o palco em campo simbólico de disputa entre os personagens discutindo visibilidade e apagamento, representação e existência.
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Idealizado e dirigido por Anderson Negreiro e pela diretora colombiana Daniela Manrique, o projeto surgiu em 2021, quando o Negreiro trabalhou com o texto “E os cães se calavam”, tragédia de Aimé Césaire presente na coletânea de poemas “As Armas Milagrosas”. O contato com a obra do autor martinicano, um dos fundadores do movimento da negritude, foi revisitado posteriormente, a partir da releitura do clássico “Seis Personagens à Procura de um Autor”, de Luigi Pirandello.

“Percebi que aquelas personagens que entram pela coxia em busca de um autor, reivindicando a continuidade da própria existência, poderiam ser corpos reais — personagens da branquitude que, mais do que personagens ficcionais, lutam por existir e afirmar sua autoria no mundo”, afirmam os diretores, em nota à imprensa.
No espetáculo, o diretor substitui as seis personagens originais do texto de Pirandello por personagens presentes na obra de Césaire — o Rebelde, a Mãe e o Coro — representadas como funcionários de um teatro. Essas figuras deixam de ser personagens ficcionais e passam a ser corpos reais, racializados, que reivindicam o direito de existir e de se expressar por meio da arte.
Sem cenário fixo, a montagem utiliza um carpete e adereços pontuais, de modo que a iluminação se torna o principal elemento visual e narrativo.

“A peça se constrói como um ensaio interrompido, em que as figuras negras reivindicam sua presença e impõem novas vozes à cena. O resultado é um teatro de conflito e exposição que desloca as hierarquias entre quem é visto e quem é invisibilizado”, diz nota da assessoria do espetáculo.
O espetáculo é gratuito, tem duração de 120 minutos e exige retirada dos ingressos até uma hora antes de cada sessão. A peça estará em cartaz de 21 de janeiro a 8 de fevereiro e será exibida de quarta-feira a sábado, às 20h, e nos domingos e feriados, às 16h. Uma sessão extra está programada para o dia 31 de janeiro também às 16h. A classificação indicativa é de 14 anos. O TUSP fica localizado na rua Maria Antônia, 294, na Vila Buarque.