A ocupação dos povos indígenas do Baixo Tapajós no porto da empresa multinacional norte-americana Cargill, em Santarém, oeste do Pará, completou quatro dias no último domingo (25).
O ato pede a suspensão do Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em agosto de 2025, que inclui hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Plano Nacional de Desestatização (PND).
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
O documento permite a privatização de serviços de manutenção da navegabilidade, como o de dragagem, que consiste na retirada de sedimentos no fundo do rio visando aumentar sua profundidade e largura. Além do curso da água, a prática coloca em risco a pesca, o território e o modo de vida das comunidades tradicionais da área.
Segundo o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Citatb), o governo federal já iniciou os editais de licitação para as empresas realizarem a intervenção. No entanto, as lideranças afirmam que a medida foi validada sem a realização do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e sem a consulta prévia, livre e informada às comunidades.
Em nota nas redes sociais, a organização informou que houve uma audiência pública com a presença de órgãos governamentais no local da ocupação. Junto às articulações, o coletivo também promoveu rodas de conversa entre os jovens, espaços de escuta e atividades de cuidado com os indígenas integrantes da manifestação.
“Seguimos resistindo e lutando contra o decreto. Nossa luta é legítima e não vai parar. No quarto dia de ocupação na Cargill, seguimos firmes na luta em defesa do Tapajós e da vida”, diz trecho da publicação.