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Países da América Latina e do Caribe articulam plano regional para assistência ao Haiti

Estratégia prevê cooperação em saúde, saneamento, água e educação diante do avanço da violência e do deslocamento interno
Um membro de uma gangue monta guarda no Cemitério Nacional enquanto os haitianos celebram Fet Gede, o Dia dos Mortos, em Porto Príncipe, em 1º de novembro de 2024.

Um membro de uma gangue monta guarda no Cemitério Nacional enquanto os haitianos celebram Fet Gede, o Dia dos Mortos, em Porto Príncipe, em 1º de novembro de 2024.

— Clarens Siffroy/AFP

28 de janeiro de 2026

Representantes de aproximadamente 30 países da América Latina e do Caribe chegaram a um acordo, nesta terça-feira (27), para impulsionar uma estratégia conjunta de ajuda humanitária ao Haiti. A reunião, realizada no Panamá e promovida pela Associação de Estados do Caribe (AEC), buscou delinear áreas de cooperação de emergência para evitar o colapso do país, que enfrenta uma das maiores crises de sua história recente devido à violência generalizada de gangues armadas.

Segundo Noemí Espinoza, secretária-geral da AEC, o acordo constitui um “plano de ação” que inclui assistência em setores como saúde, saneamento básico, acesso à água potável e educação. “Vamos nos mexer rápido para dar uma resposta humanitária”, afirmou Espinoza à agência de notícias AFP, acrescentando que a busca por recursos financeiros para implementar as medidas começaria de forma imediata.

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A mobilização regional ocorre em um momento de agravamento drástico da situação. A AEC advertiu que a violência das gangues afeta 85% da capital, Porto Príncipe, e que cerca de 12% da população haitiana está em situação de deslocamento interno. 

O encontro também segue a constatação de que as Nações Unidas não conseguiram arrecadar nem um quarto dos US$ 908 milhões (R$ 4,7 bilhões) que solicitaram à comunidade internacional em fevereiro de 2025 para um fundo de ajuda ao Haiti.

“Sabemos que os recursos são difíceis algumas vezes porque há muitas crises no mundo e há um cansaço entre os doadores”, reconheceu Espinoza. 

Paralelamente ao esforço humanitário, as forças de segurança haitianas conduzem uma operação de grande escala contra as gangues que controlam partes significativas do território. Na semana passada, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reafirmou o apoio americano a esse enfrentamento em conversa com o primeiro-ministro haitiano, Alix Fils Aimé.

A crise atual é a mais recente de uma longa série de desafios para a nação caribenha. O Haiti é o país mais pobre das Américas e um dos mais desiguais do mundo. Sua história é marcada por instabilidade política, desastres naturais devastadores (como os terremotos de 2010 e 2021) e uma pesada herança colonial.

Haiti em contexto

Localizado no Caribe, o Haiti ocupa o terço oeste da ilha de Hispaniola e faz fronteira terrestre apenas com a República Dominicana. A população é majoritariamente negra e o país se tornou independente da França em 1804, após uma revolução liderada por pessoas escravizadas, sendo o primeiro Estado moderno governado por ex-escravizados.

Ao longo do século XX, o país enfrentou ocupações estrangeiras, regimes autoritários e instabilidade política. Desde 1999, não registra continuidade institucional estável, situação agravada pelo assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021. Desde janeiro de 2023, não há autoridades eleitas em exercício.

O Haiti é o país com menor renda média das Américas e convive com impactos recorrentes de desastres naturais, como os terremotos de 2010 e 2021. A maioria da população professa o cristianismo, com forte presença de práticas associadas ao vodu. A economia é uma das menores e mais frágeis do continente, com extrema pobreza e dependência de ajuda externa.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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