Um relatório do Instituto Sou da Paz, divulgado nesta segunda-feira (9), apontou que a violência armada foi o meio utilizado em 47% das mortes de mulheres cometidas em 2024.
De acordo com a 5ª edição da pesquisa “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, mesmo com uma redução de 12% nos crimes desse gênero em um período de quatro anos, os feminicídios apresentaram um salto de 10%.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
O estudo indica que, enquanto a queda nos homicídios femininos foi de 5%, as mortes de homens reduziram 15% no mesmo intervalo, o que evidencia como a violência é experienciada de formas distintas entre os gêneros.
A dinâmica da violência contra mulheres no Nordeste é vista como alarmante pelo levantamento. Em 2024, a região concentrou 38% dos homicídios femininos registrados no país e 51% dos casos foram cometidos com arma de fogo.
A desigualdade racial também foi destaque na região, onde a mortalidade de mulheres negras por arma de fogo foi 3,2 vezes maior e, por outros meios, foi duas vezes maior.
No Centro-Oeste, 42% dos homicídios ocorreram por uso de arma de fogo e no Norte, 41%. As menores proporções foram observadas no Sudeste (35%) e no Sul (33%).
O homicídio de mulheres indígenas também apresentou percentuais expressivos, aponta o Instituto. Entre as 65 vítimas do último ano, 77% foram na região Norte. O Nordeste e o Centro-Oeste registraram, respectivamente, 11% dos casos.
Ao observar o local das mortes, a pesquisa destaca que o fator é um importante diferenciador entre as mortes de mulheres negras e não negras. Nos casos de violência armada, as mulheres negras morrem mais em vias públicas (45%), em comparação com as não negras (36%).
No entanto, nos homicídios por outros meios, predomina a residência, sobretudo entre vítimas brancas, com 54% dos casos, contra 41% entre negras.