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Gana e União Africana celebram resolução da ONU sobre a escravidão

Medida classifica tráfico de africanos escravizados como crime contra a humanidade e promove debate sobre reparações
O presidente de Gana, John Dramani Mahama, assinando um documento.

O presidente de Gana, John Dramani Mahama, assinando um documento.

— Reprodução/Redes Sociais

27 de março de 2026

A União Africana e o presidente de Gana, John Dramani Mahama, celebraram a aprovação pela Assembleia Geral das Nações Unidas da resolução que declara o tráfico de africanos escravizados e a escravidão racializada de africanos como o crime mais grave contra a humanidade. 

O texto, liderado por Gana, recebeu 123 votos favoráveis e 3 contrários (Argentina, Israel e Estados Unidos). Outros 52 países se abstiveram.

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A resolução A/80/L.48 representa, segundo o presidente ganês, a confirmação da maioria dos países do mundo de que “o tráfico e a escravidão de quase 13 milhões de seres humanos é, de fato, o crime mais grave contra a humanidade”. 

Mahama destacou, em publicação em seu perfil nas redes sociais, o papel da solidariedade internacional para a aprovação. 

“O processo de sua realização, da ideia à realidade, foi possível graças à solidariedade de pessoas de boa consciência em todo o mundo e liderado pela coalizão ativa da União Africana, CARICOM e outros grupos”, afirmou.

Mahama citou François-Dominique Toussaint L’Ouverture, nascido na escravidão e um dos arquitetos da independência do Haiti. 

“A maior arma contra a opressão é a união”, disse o líder haitiano. O presidente ganês concluiu sua manifestação com um apelo à ação coletiva. “Devemos permanecer unidos na busca pela restauração da humanidade e dignidade de nossos ancestrais que foram escravizados e vendidos.”

Leia mais: Independência do Haiti completa 222 anos como marco de luta contra o racismo e o colonialismo

União Africana defende justiça reparatória

O presidente da Comissão da União Africana saudou em nota oficial a aprovação e destacou a liderança de Gana no processo. 

“Esta decisão histórica marca um passo importante em direção à verdade, justiça e cura, e reforça a necessidade urgente de enfrentar o legado duradouro da escravidão”, declarou o representante do bloco africano.

O dirigente reiterou o apelo da União Africana pelo reconhecimento abrangente dos impactos históricos e contemporâneos da escravidão, incluindo a busca por justiça reparatória, em linha com a Agenda 2063 e decisões anteriores do bloco. 

A União Africana disse permanecer comprometida, segundo o comunicado, em trabalhar com as Nações Unidas, Estados-membros e parceiros para avançar na justiça histórica e garantir que tais crimes não sejam esquecidos nem repetidos.


Leia mais: ONU aprova reconhecimento da escravidão como o mais grave crime contra a humanidade

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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