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Vila Nova identifica 2º torcedor acusado de injúria racial contra jogador do Operário-PR

Clube goiano suspendeu preventivamente dois suspeitos de racismo e entregou nomes à polícia; atacante Berto, de Cabo Verde, denunciou ser chamado de "macaquinho" após partida da Série B
O jogador Berto, atacante do Operário Ferroviário Esporte Clube.

O jogador Berto, atacante do Operário Ferroviário Esporte Clube.

— André Jonsson/OFEC

20 de abril de 2026

O Vila Nova informou nesta segunda-feira (20) que identificou o segundo torcedor suspeito de injúria racial contra o atacante Berto, do Operário-PR. O jogador, natural de Cabo Verde, denunciou ter sido chamado de “macaquinho” após a partida da Série B, no sábado (18), no estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), em Goiânia.

O clube goiano afirmou que tomou todas as providências de identificação dos envolvidos e os conduziu à delegacia. 

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Um dos suspeitos foi preso em flagrante. Após audiência de custódia neste domingo (19), ele responderá ao processo em liberdade, com medida cautelar de proibição de frequentar praças desportivas. 

O segundo indivíduo foi identificado e qualificado pelo sistema interno de segurança do Vila Nova. A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso.

O clube determinou a suspensão temporária do acesso ao estádio para os dois torcedores acusados de injúria racial. Ambos negam as acusações.

Confusão generalizada após denúncia

Revoltado com a ofensa, Berto discutiu com torcedores do Vila Nova na tribuna do estádio, atrás dos bancos de reservas. A confusão se espalhou. Jogadores do Operário e torcedores do Vila arremessaram objetos do campo para a arquibancada e vice-versa.

Um torcedor do Vila Nova foi atingido no rosto e revidou. Ele arremessou uma garrafa de isotônico parcialmente cheia, que atingiu o presidente do Operário, Álvaro Góes. A vítima caiu no gramado com um corte no nariz.

A polícia apurou dois possíveis crimes de injúria racial e dois de lesão corporal leve durante o evento. O torcedor do Vila que praticou lesão corporal contra o presidente do Operário foi conduzido à delegacia. O jogador do Operário que lançou a garrafa do campo também foi identificado. Ele praticou lesão corporal contra o mesmo torcedor. As respectivas vítimas representaram criminalmente contra os autores.

Leia mais: ‘A palavra da vítima deve ter peso imediato’: especialista cobra mudança no tratamento de casos de racismo no futebol

Posicionamento de entidades

O Vila Nova afirmou que confia nas autoridades policiais e no Poder Judiciário para a rigorosa apuração dos fatos. O clube reiterou seu compromisso histórico com um ambiente esportivo pacífico e livre de qualquer tipo de preconceito. 

“Tão logo haja um desfecho judicial, o Vila Nova tomará as providências definitivas cabíveis”, diz a nota.

A Federação Cabo-verdiana de Futebol manifestou solidariedade a Berto e à sua família. “O racismo não deve ter lugar no futebol, nem na sociedade. É um atentado à dignidade humana”, afirma o comunicado.

O Operário Ferroviário repudiou os atos de cunho racista. O clube destacou que as imagens encaminhadas às autoridades evidenciam as manifestações discriminatórias. 

“Ressaltamos que se trata de uma conduta individual, que não representa a instituição Vila Nova nem a maioria de seus torcedores”, diz a nota. O Operário agradeceu à diretoria do clube goiano pela postura colaborativa e pela solidariedade prestada aos atletas e ao presidente do Grupo Gestor.

A Federação Paranaense de Futebol prestou solidariedade ao atleta e ao Operário. A entidade alegou que confia na responsabilização dos envolvidos e que reafirma sua posição de combate a qualquer tipo de discriminação.


Leia mais:‘Há racistas em todos os países’, diz Vini Jr. ao cobrar ação coletiva no futebol

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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