O Vila Nova informou nesta segunda-feira (20) que identificou o segundo torcedor suspeito de injúria racial contra o atacante Berto, do Operário-PR. O jogador, natural de Cabo Verde, denunciou ter sido chamado de “macaquinho” após a partida da Série B, no sábado (18), no estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), em Goiânia.
O clube goiano afirmou que tomou todas as providências de identificação dos envolvidos e os conduziu à delegacia.
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Um dos suspeitos foi preso em flagrante. Após audiência de custódia neste domingo (19), ele responderá ao processo em liberdade, com medida cautelar de proibição de frequentar praças desportivas.
O segundo indivíduo foi identificado e qualificado pelo sistema interno de segurança do Vila Nova. A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso.
O clube determinou a suspensão temporária do acesso ao estádio para os dois torcedores acusados de injúria racial. Ambos negam as acusações.
Confusão generalizada após denúncia
Revoltado com a ofensa, Berto discutiu com torcedores do Vila Nova na tribuna do estádio, atrás dos bancos de reservas. A confusão se espalhou. Jogadores do Operário e torcedores do Vila arremessaram objetos do campo para a arquibancada e vice-versa.
Um torcedor do Vila Nova foi atingido no rosto e revidou. Ele arremessou uma garrafa de isotônico parcialmente cheia, que atingiu o presidente do Operário, Álvaro Góes. A vítima caiu no gramado com um corte no nariz.
A polícia apurou dois possíveis crimes de injúria racial e dois de lesão corporal leve durante o evento. O torcedor do Vila que praticou lesão corporal contra o presidente do Operário foi conduzido à delegacia. O jogador do Operário que lançou a garrafa do campo também foi identificado. Ele praticou lesão corporal contra o mesmo torcedor. As respectivas vítimas representaram criminalmente contra os autores.
Posicionamento de entidades
O Vila Nova afirmou que confia nas autoridades policiais e no Poder Judiciário para a rigorosa apuração dos fatos. O clube reiterou seu compromisso histórico com um ambiente esportivo pacífico e livre de qualquer tipo de preconceito.
“Tão logo haja um desfecho judicial, o Vila Nova tomará as providências definitivas cabíveis”, diz a nota.
A Federação Cabo-verdiana de Futebol manifestou solidariedade a Berto e à sua família. “O racismo não deve ter lugar no futebol, nem na sociedade. É um atentado à dignidade humana”, afirma o comunicado.
O Operário Ferroviário repudiou os atos de cunho racista. O clube destacou que as imagens encaminhadas às autoridades evidenciam as manifestações discriminatórias.
“Ressaltamos que se trata de uma conduta individual, que não representa a instituição Vila Nova nem a maioria de seus torcedores”, diz a nota. O Operário agradeceu à diretoria do clube goiano pela postura colaborativa e pela solidariedade prestada aos atletas e ao presidente do Grupo Gestor.
A Federação Paranaense de Futebol prestou solidariedade ao atleta e ao Operário. A entidade alegou que confia na responsabilização dos envolvidos e que reafirma sua posição de combate a qualquer tipo de discriminação.
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