PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Proibição do termo ‘quarto de empregada’ avança na Câmara

Proposta legislativa busca eliminar termos escravocratas em documentos e projetos imobiliários do país
Imagem do documentário "Aqui não entra luz", sobre a herança do quarto da empregada na arquitetura brasileira.

Imagem do documentário "Aqui não entra luz", sobre a herança do quarto da empregada na arquitetura brasileira.

— Divulgação

22 de abril de 2026

A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (22), o Projeto de Lei Complementar (PLP) que proíbe o uso das expressões “quarto de empregada”, “dependência de empregada” e termos semelhantes no Brasil.

O PLP 18/25, apresentado pela deputada federal Denise Pessôa (PT-RS), foi aprovado na forma de um substitutivo da relatora, deputada Marcivania da Rocha Flexa (PCdoB-AP). Com a alteração, o projeto torna a proibição obrigatória em todo o território nacional. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Leia mais: Apenas 25% das trabalhadoras domésticas têm carteira assinada, diz estudo

A proposta também inclui expressamente o termo “suíte de empregada” e outras denominações análogas em documentos públicos e privados, projetos arquitetônicos, materiais publicitários de venda ou locação de imóveis e avisos em geral. 

Segundo o texto legislativo, o Poder Público federal, estadual e municipal deverá adotar medidas para garantir a conscientização das pessoas e assegurar a efetividade da norma. 

A relatora apontou que, apesar de cotidianas, as expressões referidas carregam resquícios de um passado escravocrata e da desvalorização do trabalho doméstico. 

“Entendemos que a abolição dessas nomenclaturas é um passo simbólico e prático para desnaturalizar a ‘cultura do quarto de fundos’, promovendo relações laborais baseadas na autonomia e no respeito mútuo, e não na servidão”, declarou Flexa em seu voto. 

Leia mais: Livro mapeia trabalhadoras domésticas na história da literatura brasileira

A parlamentar ainda classificou como urgente a necessidade de reparação histórica e defende que a proibição deve ocorrer de maneira firme, uniforme e em nível nacional, para garantir a dignidade das trabalhadoras domésticas. 

O PLP ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) antes de ser enviado ao Plenário para votação. Antes de se tornar lei, a proposta precisa ser aprovada pelos deputados e senadores, além de sancionada pelo presidente. 

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano