Na quinta-feira (30), o advogado camaronês Joseph Awah Fru, ligado a um grupo de imigrantes africanos deportados dos Estados Unidos nesta semana, afirmou à agência francesa AFP que ao menos nove deles — de Angola, Congo, Etiópia e Gana — chegaram a Camarões. O grupo é composto de seis mulheres e dois homens. A chegada ao país é parte de um acordo entre Washington e Iaundê.
Camarões é um dos países africanos que concordaram, nos últimos meses, em participar de um esquema que permite aos EUA enviar imigrantes deportados a países terceiros quando há impedimentos para enviá-los a seus países de origem.
Leia Mais: ‘A nação sofre com vocês’: Gâmbia vive luto após tragédia com navio de imigrantes, diz presidente
Segundo publicou o jornal The New York Times, Washington está pagando a Camarões US$ 30 milhões (cerca de R$ 149,6 milhões), por meio de uma agência da ONU, para fazer parte do acordo. Segundo o jornal, os EUA usaram o valor que seria destinado à agência como forma de pressionar o governo camaronês a receber os imigrantes.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
O grupo deportado para Camarões chegou ao país na quarta-feira (29) e faz parte do terceiro voo do tipo desde janeiro deste ano. Além do grupo, outros 17 imigrantes deportados já chegaram ao país africano como parte do acordo, ainda segundo a AFP.
Leia Mais: Ruanda anuncia acordo para aceitar 250 imigrantes deportados dos EUA
Além de Camarões, Gana, Guiné Equatorial, Essuatíni, Ruanda, República Democrática do Congo e Sudão do Sul também fizeram acordos semelhantes com os EUA.
A maioria desses imigrantes é impedida de ser deportada para seus países de origem pela Justiça dos EUA por questões de segurança. O governo norte-americano tem fechado acordos com países terceiros que desejam receber esses imigrantes.
Das dezessete pessoas deportadas anteriormente para Camarões, quatro foram enviadas para seus países de origem: Angola, Marrocos e Senegal.
Os outros treze, que estão em um centro administrado por autoridades camaronesas em conjunto com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), poderão solicitar asilo em Camarões, se desejarem.
Em setembro, a Human Rights Watch publicou que essas expulsões sob “acordos opacos” violavam o direito internacional e deveriam ser rejeitadas.
Leia Mais: Com mais poder, novo governo Trump promete ataque sem precedentes aos imigrantes