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Sudão e Etiópia trocam acusações de ataques e ampliam tensão na região

Conflito envolve denúncias sobre drones, apoio a forças armadas e risco de escalada com participação de outros países
O vice-presidente da Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), Amanuel Assefa.

O vice-presidente da Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), Amanuel Assefa.

— Reprodução/Tigray TV

5 de maio de 2026

Sudão e Etiópia trocaram acusações de ataques e violação territorial,  nesta terça-feira (5), em meio ao avanço de conflitos internos nos dois países. O governo etíope afirmou que o Exército sudanês apoia forças contrárias ao país e atua na fronteira oeste.

O ministério das Relações Exteriores da Etiópia acusou o exército sudanês de apoiar “mercenários” ligados à Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF). O braço armado do grupo travou uma guerra civil contra o governo federal etíope entre 2020 e 2022. As relações entre o governo e a TPLF permanecem tensas.

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“O Sudão serve como um centro para várias forças anti-Etiópia”, publicou o ministério na rede X. “As forças armadas sudanesas também forneceram armas e apoio financeiro a esses mercenários, facilitando assim suas incursões ao longo da fronteira ocidental da Etiópia”, acrescentou o comunicado.

Um alto funcionário da TPLF, Amanuel Assefa, rejeitou as acusações. “Não temos conexões com as autoridades sudanesas”, afirmou à AFP. Ele disse que o governo etíope culpa “todos, menos a si mesmos” pelos seus fracassos.

Acusações do Sudão

Antes da declaração etíope, o Sudão anunciou a convocação de seu embaixador em Adis Abeba “para consultas”. A decisão ocorreu após ataques com drones. O porta-voz do exército, Assim Awad, afirmou em coletiva de imprensa em Cartum que os ataques partiram da Etiópia em colaboração com os Emirados Árabes Unidos.

Os Emirados Árabes Unidos são apontados como o principal patrocinador das Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar em guerra contra o governo sudanês desde 2023. O país nega as acusações e não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da AFP.

Awad afirmou que o Sudão possui “evidências conclusivas” de que drones fabricados nos Emirados Árabes Unidos, lançados da região do aeroporto de Bahir Dar, no nordeste da Etiópia, atingiram posições do exército sudanês em vários estados nos dias 1º e 17 de março. Os drones também atacaram alvos em Cartum desde sexta-feira (1º), incluindo o aeroporto da capital na segunda-feira (4).

Dados recuperados de um drone abatido em El-Obeid, capital do estado de Kordofan do Norte, mostraram que a aeronave pertencia aos Emirados Árabes Unidos e havia decolado de Bahir Dar. 

“Com base nessas evidências documentadas, afirmamos que o que os dois estados da Etiópia e dos Emirados Árabes Unidos realizaram constitui agressão direta contra o Sudão e não será recebido com silêncio”, declarou Awad.

As forças sudanesas, segundo ele, estão “no mais alto nível de prontidão”. O ministro das Relações Exteriores do Sudão, Mohieddin Salem, alinhado ao exército, afirmou que o país está pronto para “entrar em um confronto aberto” com a Etiópia “se necessário”. O ministério das Relações Exteriores da Etiópia classificou as alegações de “infundadas”.

Leia mais: Sudão acusa Emirados Árabes de recrutar mercenários colombianos para apoiar forças paramilitares

Ataques atingem civis e infraestrutura

O Sudão enfrenta uma guerra interna desde 2023, com confrontos entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF). O grupo paramilitar é acusado de receber apoio externo, o que amplia a dimensão do conflito.

Nos últimos meses, ataques com drones se intensificaram no Sudão. Um bombardeio atingiu um posto de combustível no estado do Nilo Branco e deixou mortos e feridos.

Outras ações atingiram áreas residenciais e estruturas como hospitais, sistemas de energia e abastecimento de água. Em regiões próximas a Cartum, ataques recentes causaram mortes e danos em bairros urbanos.

O conflito também avança em áreas como Darfur, Kordofan e Nilo Azul, próximas às fronteiras com Etiópia e Sudão do Sul.


Leia mais: Guerra no Sudão desloca 14 milhões e agrava crise humanitária, diz ONU

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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