As Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar do Sudão, lançaram ataques coordenados nesta segunda-feira (16) na região de Kordofan, com o objetivo de isolar uma cidade estratégica, enquanto também realizavam ofensivas em localidades ao longo da fronteira com o Chade, segundo fontes do grupo e do exército.
Os combatentes paramilitares atingiram simultaneamente a cidade de Bara, em Kordofan do Norte, de acordo com uma fonte das RSF, e a cidade de Dilling, em Kordofan do Sul, conforme outra fonte do exército. Os ataques miraram duas posições consideradas estratégicas em direção ao principal centro de El-Obeid. Ambas as fontes falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a se manifestar à imprensa.
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Kordofan configura atualmente o campo de batalha mais intenso da guerra de três anos entre o exército e as RSF, conflito que matou dezenas de milhares de pessoas e gerou as maiores crises de fome e deslocamento do mundo. Ataques quase diários com drones matam dezenas de pessoas na região, onde centenas de milhares estão ameaçadas pela fome em massa.
A fonte das RSF afirmou que “nossas forças retomaram Bara”, cidade situada em uma rodovia estratégica que liga a capital Cartum, controlada pelo exército, a El-Obeid, a maior cidade de Kordofan. Bara, considerada um posto de preparação para ataques contra El-Obeid, mudou de mãos repetidamente, tendo caído sob controle do exército no início deste mês.
El-Obeid está na mira das RSF desde que o exército rompeu um cerco na cidade no ano passado. A captura da cidade garantiria o eixo central leste-oeste do Sudão, conectando os redutos das RSF na região de Darfur à região leste controlada pelo exército e aproximaria o grupo paramilitar de Cartum.
Ataque a Dilling e aliança com facção rebelde
Cerca de 200 quilômetros ao sul, as RSF e seus aliados locais atacaram a cidade de Dilling, em Kordofan do Sul, “por três eixos”, informou uma fonte do exército à agência francesa AFP. As forças governamentais romperam um cerco de anos das RSF a Dilling em janeiro, e o grupo paramilitar tem realizado ataques com artilharia e drones contra a cidade desde então.
“Nossas forças repeliram o ataque lançado pelas RSF e pelas forças de Abdelaziz al-Hilu”, afirmou a fonte do exército, se referindo a uma facção do Movimento de Libertação do Povo do Sudão-Norte (SPLM-N).
No oeste do país, os paramilitares consolidaram seu domínio no ano passado ao tomar a capital do estado de Darfur do Norte, El-Fasher, onde posteriormente cometeram o que uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) determinou serem “atos de genocídio“. Desde então, o grupo avançou em direção à fronteira com o Chade, através de enclaves controlados pelas Forças Conjuntas, um grupo de milícias pró-exército.
As duas milícias disputam repetidamente o controle de Al-Tina, cidade irmã de Tine, no Chade, país que fechou a fronteira no mês passado. Em confrontos fronteiriços sucessivos, 15 soldados chadianos e oito civis foram mortos desde dezembro, de acordo com levantamento da AFP.