PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Paramilitares do Sudão lançam ataques em duas frentes na região de Kordofan

Ofensiva coordenada das RSF atinge cidades estratégicas de Bara e Dilling; grupo tenta cercar El-Obeid e isolar principais rotas do centro do país
Membros das forças de segurança do Sudão, na costa do Mar Vermelho, no dia 28 de outubro.

Membros das forças de segurança do Sudão, na costa do Mar Vermelho, no dia 28 de outubro.

— AFP

16 de março de 2026

As Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar do Sudão, lançaram ataques coordenados nesta segunda-feira (16) na região de Kordofan, com o objetivo de isolar uma cidade estratégica, enquanto também realizavam ofensivas em localidades ao longo da fronteira com o Chade, segundo fontes do grupo e do exército.

Os combatentes paramilitares atingiram simultaneamente a cidade de Bara, em Kordofan do Norte, de acordo com uma fonte das RSF, e a cidade de Dilling, em Kordofan do Sul, conforme outra fonte do exército. Os ataques miraram duas posições consideradas estratégicas em direção ao principal centro de El-Obeid. Ambas as fontes falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a se manifestar à imprensa.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Kordofan configura atualmente o campo de batalha mais intenso da guerra de três anos entre o exército e as RSF, conflito que matou dezenas de milhares de pessoas e gerou as maiores crises de fome e deslocamento do mundo. Ataques quase diários com drones matam dezenas de pessoas na região, onde centenas de milhares estão ameaçadas pela fome em massa.

A fonte das RSF afirmou que “nossas forças retomaram Bara”, cidade situada em uma rodovia estratégica que liga a capital Cartum, controlada pelo exército, a El-Obeid, a maior cidade de Kordofan. Bara, considerada um posto de preparação para ataques contra El-Obeid, mudou de mãos repetidamente, tendo caído sob controle do exército no início deste mês.

El-Obeid está na mira das RSF desde que o exército rompeu um cerco na cidade no ano passado. A captura da cidade garantiria o eixo central leste-oeste do Sudão, conectando os redutos das RSF na região de Darfur à região leste controlada pelo exército e aproximaria o grupo paramilitar de Cartum.

Ataque a Dilling e aliança com facção rebelde

Cerca de 200 quilômetros ao sul, as RSF e seus aliados locais atacaram a cidade de Dilling, em Kordofan do Sul, “por três eixos”, informou uma fonte do exército à agência francesa AFP. As forças governamentais romperam um cerco de anos das RSF a Dilling em janeiro, e o grupo paramilitar tem realizado ataques com artilharia e drones contra a cidade desde então.

“Nossas forças repeliram o ataque lançado pelas RSF e pelas forças de Abdelaziz al-Hilu”, afirmou a fonte do exército, se referindo a uma facção do Movimento de Libertação do Povo do Sudão-Norte (SPLM-N).

No oeste do país, os paramilitares consolidaram seu domínio no ano passado ao tomar a capital do estado de Darfur do Norte, El-Fasher, onde posteriormente cometeram o que uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) determinou serem “atos de genocídio“. Desde então, o grupo avançou em direção à fronteira com o Chade, através de enclaves controlados pelas Forças Conjuntas, um grupo de milícias pró-exército.

As duas milícias disputam repetidamente o controle de Al-Tina, cidade irmã de Tine, no Chade, país que fechou a fronteira no mês passado. Em confrontos fronteiriços sucessivos, 15 soldados chadianos e oito civis foram mortos desde dezembro, de acordo com levantamento da AFP.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano