A crise alimentar no Sudão corre o risco de se transformar em uma “tragédia ainda mais grave” sem uma rápida intervenção internacional. A estimativa é da Organização das Nações Unidas (ONU) e foi divulgada nesta sexta-feira (15).
Cerca de 20 milhões de pessoas sofrem de fome aguda no país. Esse número representa mais de 40% da população sudanesa. A guerra no Sudão, que desde abril de 2023 é cenário da oposição entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (FAR), provocou, segundo a ONU, a maior crise alimentar do mundo.
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Em um comunicado conjunto, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimaram que 19,5 milhões de pessoas enfrentam atualmente um nível crítico de fome.
Os dados saíram do relatório publicado na quinta-feira (14) pela Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (CIF), organismo da ONU com sede em Roma, Itália.
“A fome e a desnutrição ameaçam milhões de vidas”, declarou Cindy McCain, diretora do PMA. Ela pediu uma ação internacional urgente para “impedir que esta crise se transforme em uma tragédia ainda mais grave”.
A CIF estima que 825 mil crianças menores de cinco anos sofrerão desnutrição aguda severa em 2026. Esse número representa um aumento de 7% em relação a 2025.
As crianças “chegam a centros já exauridas, fracas demais para chorar”, descreveu Catherine Russell, diretora da Unicef. Ela advertiu que “mais crianças morrerão” se medidas rápidas não forem adotadas.
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Fome extrema ameaça 14 zonas do país
Quatorze zonas do Sudão estão ameaçadas pela fome extrema. As áreas críticas localizam-se em Darfur do Norte, Darfur do Sul e Cordofão do Sul. Cerca de 135 mil pessoas já sofrem níveis “catastróficos” de fome.
A avaliação da CIF se baseia em “um cenário pessimista, mas plausível”. O cenário contempla uma intensificação dos combates e novas restrições ao acesso humanitário e à circulação de bens e pessoas.
O número atual de 19,5 milhões de pessoas afetadas pela fome aguda é ligeiramente inferior à estimativa de outubro passado. Na ocasião, o relatório apontava mais de 21 milhões de pessoas em situação crítica. A fome extrema foi confirmada em El Fasher, no oeste do país, e em Kaduqli, no sul.
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