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Ajuda alimentar no Sudão pode se esgotar em março por falta de recursos, alerta ONU

Programa Mundial de Alimentos afirma que falta de financiamento ameaça milhões em meio à guerra civil e à crise de fome no país
Um trabalhador carrega um saco de comida em um galpão do World Food Program (WFP) da Organização das Nações Unidas (ONU), em El-Fasher, Sudão, 5 de setembro de 2007

Um trabalhador carrega um saco de comida em um galpão do World Food Program (WFP) da Organização das Nações Unidas (ONU), em El-Fasher, Sudão, 5 de setembro de 2007

— Don Emmert/AFP

15 de janeiro de 2026

A ajuda alimentar destinada ao Sudão pode acabar até o fim de março caso não haja novos aportes financeiros. O alerta foi feito nesta quinta-feira (15) pela Organização das Nações Unidas (ONU), que aponta risco imediato para milhões de pessoas afetadas pela maior crise de fome em curso no mundo.

A advertência ocorre após quase três anos de guerra civil no país, marcada por confrontos entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF). O conflito já deixou dezenas de milhares de mortos e provocou o deslocamento interno e externo de cerca de 11 milhões de pessoas.

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Ross Smith, diretor de Preparação e Resposta a Emergências do PMA, divulgou um comunicado. “Até o final de março, teremos esgotado nossos estoques de alimentos no Sudão”, declarou Smith. “Sem financiamento adicional imediato, milhões de pessoas ficarão sem assistência alimentar vital em semanas”, completou.

O PMA informou que já precisou reduzir as rações alimentares para “o mínimo absoluto para a sobrevivência”. Segundo dados das Nações Unidas, mais de 21 milhões de pessoas (quase metade da população do Sudão) enfrentam insegurança alimentar aguda.

Fome já é realidade em várias regiões

A situação mais crítica já recebeu confirmação formal em algumas áreas. Uma avaliação respaldada pela ONU confirmou no ano passado que a fome se instalou em El-Fasher, capital do Darfur do Norte. A cidade foi tomada pelas forças paramilitares em outubro.

A fome também foi confirmada em Kadugli, na região vizinha de Kordofan, agora um campo de batalha central no conflito. Em Dilling, cerca de 130 quilômetros ao norte, a ONU afirma que os civis provavelmente já vivem em condições de fome. Problemas de segurança e a falta de acesso impediram uma declaração formal na localidade.

A organização já havia declarado fome anteriormente em três campos de deslocados ao redor de El-Fasher e em partes das Montanhas Nuba, no sul do país.

A crise humanitária no Sudão depende de um fluxo contínuo de recursos internacionais. A interrupção da assistência alimentar, segundo o PMA, pode elevar o número de mortes de forma catastrófica nas próximas semanas.

O Sudão é um país do nordeste da África, com cerca de 46 milhões de habitantes, um dos mais populosos do continente. O país conquistou a independência em 1956, após um período de co-domínio britânico-egípcio estabelecido em 1899. 

Faz fronteira com sete países, incluindo o Egito ao norte e o Sudão do Sul ao sul, do qual se separou em 2011 após décadas de guerra civil. A economia sudanesa, de baixa renda, já era frágil antes do atual conflito e foi devastada pela guerra, que agravou a hiperinflação e a insegurança alimentar. A religião majoritária é o Islamismo sunita.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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