Milhares de pessoas participaram, no último sábado (6), de um ato em defesa do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT), em Curitiba. A manifestação ocorreu em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e reuniu parlamentares, artistas, movimentos sociais, ativistas do movimento negro e apoiadores do parlamentar, que recebeu cerca de 57 mil votos nas eleições de 2022.
O evento ocorreu poucos dias antes da votação, em plenário, do parecer do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) que recomenda a cassação do mandato de Freitas por quebra de decoro parlamentar.
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O processo tem origem em um episódio registrado em 19 de novembro de 2025, no centro de Curitiba, quando ocorreu uma discussão seguida de agressões entre o deputado e o então manobrista Weslley de Souza Silva.
A defesa sustenta que o caso ocorreu fora do exercício da atividade parlamentar e, por isso, deveria ser analisado pela Justiça comum, e não pela Assembleia Legislativa.
Na última semana, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep aprovou a admissibilidade do parecer que recomenda a cassação. Os deputados estaduais Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição e presidente estadual do partido, e Ana Júlia Ribeiro (PT), líder do bloco PT-PDT, votaram contra o avanço do processo e apresentaram votos em separado.
A manifestação reuniu nomes da política paranaense e nacional. Discursaram durante o ato a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e o pré-candidato ao governo do Paraná Requião Filho (PDT).
Também participaram vereadores de Curitiba, entre eles Giorgia Prates (PT), Vanda de Assis (PT), Angelo Vanhoni (PT) e Professora Angela (PSOL), além de deputados estaduais da bancada petista, como Professor Lemos, Ana Júlia Ribeiro e Arilson Chiorato. O deputado federal Zeca Dirceu (PT) também manifestou apoio ao parlamentar.
O ato contou ainda com apresentações dos rappers Thaíde e Renan Inquérito.
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Discurso associa defesa do mandato a pautas sociais
Durante sua fala, Renato Freitas afirmou que a mobilização não se restringia à defesa de seu mandato. O deputado relacionou o ato à luta de familiares de vítimas da violência policial e à reivindicação por políticas públicas para as periferias.
Segundo ele, a manifestação também representava a memória de pessoas que perderam a vida em decorrência de “políticas de abandono, de miséria, de embrutecimento e de letalidade policial”.
O parlamentar destacou a presença de mães que denunciam ações policiais e defendem a adoção de câmeras corporais por agentes de segurança.
Entre elas estava Eliane Pereira da Costa, apresentada durante o evento como apoiadora da atuação de Renato Freitas. Ela afirmou que o deputado é “o único” que visita comunidades para acompanhar casos de mortes classificadas como confrontos policiais e cobrou respostas das autoridades sobre a letalidade policial no estado.
As falas aproximaram a defesa do mandato de debates sobre segurança pública, direitos humanos e a situação das periferias paranaenses.
Renato Freitas também direcionou críticas ao funcionamento das plataformas digitais. Segundo ele, redes que surgiram com a promessa de ampliar o diálogo passaram a favorecer ambientes marcados pela circulação de desinformação.
O deputado afirmou que parte da população ficou confinada a grupos de mensagens e sistemas de recomendação algorítmica, cenário que, em sua avaliação, contribui para a disseminação de mentiras e para o desgaste da reputação de pessoas expostas ao debate público.
Votação ocorre nos próximos dias
Com a aprovação da admissibilidade pela CCJ, o parecer favorável à cassação segue para análise do plenário da Assembleia Legislativa do Paraná.
A votação deve ocorrer nos próximos dias. Caso a maioria dos deputados acompanhe a recomendação do Conselho de Ética, Renato Freitas perderá o mandato.
O parlamentar já enfrentou um processo semelhante em 2022, quando exercia o cargo de vereador em Curitiba. Na ocasião, a Câmara Municipal aprovou sua cassação após o episódio envolvendo a Igreja do Rosário, durante um protesto realizado em memória de Moïse Kabagambe e Durval Teófilo Filho, dois homens negros assassinados no Rio de Janeiro.
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