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MPF quer obrigar MG a criar mecanismo contra tortura em presídios

Ação pede que União e estado implementem órgão independente para fiscalizar presídios, hospitais psiquiátricos e outras instituições de privação de liberdade
A foto mostra o pátio de uma penitenciária.

A foto mostra o pátio de uma penitenciária.

— Marcello Casal Jr./Agência Brasil

9 de julho de 2026

O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma ação civil pública, com pedido de urgência, para obrigar a União e o estado de Minas Gerais a implementarem e estruturarem adequadamente o Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura (MEPCT). 

A iniciativa busca garantir que Minas, estado com o maior número absoluto de instituições de privação de liberdade do país, conte com um órgão independente para fiscalizar o tratamento dado às pessoas sob custódia.

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O objetivo da ação é fazer com que o estado cumpra leis nacionais e tratados internacionais assinados pelo Brasil há quase duas décadas. 

Segundo o MPF, o mecanismo é uma ferramenta essencial para prevenir, detectar e reprimir situações de violência em presídios, centros socioeducativos, hospitais psiquiátricos e comunidades terapêuticas.

A ação é o desdobramento de um processo iniciado em 2016, quando o MPF abriu procedimento para acompanhar a implementação do sistema em Minas Gerais.

Durante anos, a Procuradoria buscou uma solução consensual e propôs ao governo mineiro a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) inspirado em um modelo adotado no Acre. 

Em julho de 2025, porém, o estado rejeitou formalmente o acordo, alegando que sua estrutura atual já seria suficiente. A recusa motivou o ajuizamento da ação diante da “completa ausência de predisposição estatal” para o consenso.

Leia mais: Brasil assina acordos de reparação por violência policial e tortura em casos na CIDH

Superlotação e falhas estruturais

Minas Gerais concentra a segunda maior população carcerária do Brasil, com mais de 73 mil pessoas presas para apenas cerca de 46 mil vagas. Esse cenário de superlotação e insalubridade favorece as violações de direitos fundamentais. 

Relatórios de inspeções nacionais revelaram casos de espancamentos, violência psicológica, falta de água potável e até mortes suspeitas em unidades mineiras. Em hospitais psiquiátricos e comunidades terapêuticas, vistorias identificaram castigos físicos, isolamento e contenção mecânica como formas de punição.

A ação aponta que os órgãos atualmente previstos na legislação mineira, como o Sistema Estadual de Prevenção da Tortura (Sisprev-MG) e o Comitê Estadual de Prevenção e Combate à Tortura (CEPT-MG), apresentam falhas estruturais que comprometem sua eficácia. 

Metade dos membros do Comitê Estadual integra órgãos vinculados à Secretaria de Segurança Pública (Sejusp), pasta responsável pela administração prisional e policial. 

ara o MPF, o novo órgão deve ser composto por peritos especializados, com mandatos fixos e orçamento próprio, para que possam realizar visitas sem aviso prévio e entrevistar pessoas privadamente, sem medo de represálias.

Pedidos incluem plano de implementação e multa

Na ação, o MPF solicita à Justiça que a União e o estado apresentem, em 90 dias, um plano de implementação do Mecanismo Estadual; que o órgão seja composto por profissionais com conhecimento técnico na área de direitos humanos e com equilíbrio de gênero e raça; que seja garantido o acesso irrestrito dos peritos a qualquer local de privação de liberdade em Minas Gerais; e que seja fixada multa diária de R$ 100 mil tanto para a União quanto para o estado em caso de descumprimento.

“A inércia estatal em relação à adequada criação e estruturação do Mecanismo Estadual gera impactos diretos à defesa dos direitos humanos, sobretudo com relação à fiscalização das condições de quem está sob a tutela do Estado”, destaca a procuradora regional dos Direitos do Cidadão Ludmila Junqueira Duarte Oliveira.

A ação fundamenta-se no princípio da dignidade da pessoa humana, previsto na Constituição, que proíbe qualquer tratamento desumano ou degradante. O MPF ressalta que a existência de mecanismos locais facilita o controle social e permite identificar padrões de violência que, de outra forma, ficariam escondidos.

Leia mais: Ação judicial pede criação de mecanismo de combate e prevenção à tortura em São Paulo

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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