Espetáculo infanto-juvenil valoriza matrizes afro-indígenas na dança

Peça convida especialmente as crianças a reconhecerem outras formas de expressão corporal, valorizando a diversidade de corpos, culturas e narrativas
Cena do espetáculo infanto-juvenil "Gbin".

Cena do espetáculo infanto-juvenil "Gbin".

— Divulgação/Carol Spork

8 de maio de 2026

O espetáculo infanto-juvenil “Gbin” evidencia o poder da dança em aproximar e valorizar matrizes de movimento afro-indígenas na contemporaneidade. A peça tem apresentações no Sesc Niterói e Sesc Ramos, no Rio de Janeiro, neste sábado (9) e domingo (10).

O projeto é a mais recente criação da Cia Xirê e tem como ponto de partida a palavra iorubá “Gbìn” (bîn), que significa “plantar” ou “semear”, conceito que orienta e inspira todo o projeto. A proposta é justamente semear novos olhares, estimulando o contato com corpos e movimentos que brotam de referências estéticas pouco presentes nas cenas massivas de dança

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

São gestos, ritmos e presenças que escapam dos padrões mais difundidos nos palcos e também nas mídias virtuais, televisivas e cinematográficas. Ao trazer essa perspectiva, a obra amplia o repertório sensível do público e convida especialmente as crianças a reconhecerem outras formas de expressão corporal, valorizando a diversidade de corpos, culturas e narrativas que também compõem o universo da dança.

“A dança pode nos aproximar muito mais do que poderíamos imaginar, promovendo a redução das desigualdades a partir do encontro, em dança, dos olhares de crianças com corpos fenotipicamente e culturalmente afro indígenas, bem como às qualidades de movimento que brotam desses corpos”, afirma a diretora e coreógrafa Andrea Elias. 

Leia mais: Curso gratuito mostra novas formas de trabalhar arte com crianças

Contemplado no Edital “Sesc Pulsar O Corpo Negro”, tem um corte temático marcadamente afro indígena, ficha técnica predominantemente composta por negros, cultivando uma poética que dialoga com o conceito de “oralitura”, da pesquisadora Leda Martins, onde os atravessamentos, os cruzos, promovem o acontecimento.

“‘Gbin’ nasce do desejo de aproximar corpos em suas diversidades num momento no qual estes são convocados a se manterem à distância. Esta aproximação fala não apenas da fisicalidade, mas também da diversidade cultural e subjetiva, da convicção no poder que tem a dança de conectar corpos em suas diferenças e afirmar suas potências”, acrescenta Andrea. 

Ao ser criado para crianças, a peça transita por questões centrais da linguagem da dança contemporânea em direção à recepção do público infanto-juvenil, investigando o que é próprio da linguagem na relação com este olhar lúdico da infância. 

Andrea reforça ainda que a Cia Xirê, há mais de 20 anos, tem exercido um importante papel na democratização da dança contemporânea, ampliando os canais de acesso entre ela e o público em formação. 

“Nosso compromisso vai além de colocar um espetáculo em cena. A gente busca, de forma contínua, criar caminhos reais de aproximação entre a dança contemporânea e o público, especialmente aqueles que ainda estão em processo de formação e descoberta. Democratizar o acesso é entender que nem todos se sentem pertencentes a esses espaços, e por isso trabalhamos para romper essas barreiras, ocupar novos territórios e estimular o olhar, a sensibilidade e o interesse de diferentes pessoas pela arte”, finaliza a diretora e coreógrafa. 

Leia mais: Theatro Municipal amplia cursos gratuitos de música e dança nas periferias de São Paulo

Serviço

Espetáculo “Gbin”, Cia Xirê

Quando e onde: 9 de maio, às 16 horas, no Sesc Niterói – R. Padre Anchieta, 56 – São Domingos, Niterói

Quando e onde: 10 de maio, às 16 horas, no Sesc Ramos – R. Teixeira Franco, 38 – Ramos, Rio de Janeiro

Ingressos: R$15,00 (inteira), R$7,50 (meia entrada para casos previstos por lei, estendida a professores e classe artística mediante apresentação de registro profissional e programa Mesa Brasil), R$ 13,50 (convênio), R$10,50 (credencial plena), gratuito (público PCG).

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques