Estudantes da rede pública publicam livros sobre bairros periféricos de São Paulo

Obras, que se tornarão materiais didádicos, foram escritas por estudantes dos distritos Cachoeirinha e Brasilândia, na Zona Norte da capital paulista
Ilustração do livro "Brasilândia – O bairro da gente".

Ilustração do livro "Brasilândia – O bairro da gente".

— Divulgação

14 de dezembro de 2025

Os patrimônios materiais, imateriais e ambientais de distritos paulistanos da Zona Norte de São Paulo são assuntos dos livros “Cachoeirinha – O bairro da gente” e “Brasilândia – O bairro da gente”. As obras têm como autores alunos da rede pública de ensino do município, que fizeram pesquisas, visitaram os patrimônios, debateram em sala e receberam convidados nas escolas.

No caso do Cachoeirinha, o livro contou com a participação de nove turmas de quatro escolas do distrito – EMEF Prof. Gilberto Dupas, EMEF Marcílio Dias, EMEF Neir Augusto Lopes e EMEF Sebastião Nogueira. Para construir o livro, cada turma investigou e produziu textos sobre um tema, que se tornou um capítulo do livro. O projeto envolveu a parceria com escritor Marcus Aurelius Pimenta.

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Entre os temas abordados estão o Parque Linear do Córrego do Bispo, a Praça Pakalolo, o Terminal Cachoeirinha e o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso. A pesquisa sobre o CCJ envolveu uma visita a campo, o que rendeu depoimentos coletivos como o do grupo formado pelos alunos Arthur Santos, Gustavo Firmo, Deivid Fernades, Lincoln Moraes, Yudi Oliveira, Anna dos Santos e Gustavo dos Santos: “O Centro Cultural Ruth Cardoso nasceu para transformar a comunidade, cresceu com a cultura, a educação, acolheu talentos e despertou sonhos. Hoje inspira e muda vidas com esperança.”

Brasilândia teve a participação de nove turmas de cinco escolas do distrito – EMEF André Alckmin, EMEF Cecília Moraes de Vasconcelos, EMEF Jardim Guarani, EMEF Senador Milton Campos e EMEF Theo Dutra. A escritora Marta Góes foi a parceira da publicação.

É possível encontrar entre os temas o Funk no Elisa Maria, a Rua Parapuã e o Pão nosso da Brasilândia. A visita à escola de integrantes do Samba do Congo rendeu relatos históricos e de memória como o escrito pelas alunas Emily Vitória Novais, Laryssa Aparecida Borba e Yasmin Bueno de Camargo: “No samba, a Velha Guarda, grupo de idosos da comunidade, procura transmitir aos mais novos a história e a cultura dos ancestrais, para manter vivas as tradições.” 

As obras contam com ilustrações de profissionais do Estúdio Rebimboca e foram produzidas pela Editora Olhares em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Promac, e patrocínio do Instituto Cyrela e da Cyrela.

A diversidade de gêneros textuais é um dos fios condutores das obras, que trazem ainda contos, crônicas e poemas dos estudantes.

Os livros devem virar material didático para as crianças e adolescentes das escolas públicas das regiões, cada um com 1.750 exemplares doados para a Secretaria Municipal de Educação. A versão digital das obras pode ser acessada no site do projeto.

As publicações representam a estreia de uma nova coleção da Editora Olhares, inspirada em sua irmã mais velha, A Cidade da Gente, que já passou por mais de 40 cidades brasileiras, de norte a sul. Em ambas, a ideia é publicar livros em que estudantes e professores de escolas da rede pública investigam e escrevem sobre os patrimônios culturais e ambientais de seus territórios e sobre a relação cotidiana da população com essas riquezas. 

Além de promover a leitura e a escrita, e contribuir para que as crianças e os adolescentes conheçam e valorizem o lugar onde vivem, os livros das duas coleções se tornam importantes referências de conhecimento e ferramentas perenes para abordar, nas salas de aula, os temas locais a partir do olhar da comunidade escolar.

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