SP: coletivo negro leva Dorival Caymmi a crianças da Zona Leste com contações de histórias bilíngues

Projeto "O sol nascerá" mescla música, literatura infantil e Libras em espetáculos gratuitos em equipamentos culturais da periferia
O coletivo negro Azuka.

O coletivo negro Azuka.

— Gabriela Garcia/Divulgação

13 de setembro de 2025

Até novembro, o coletivo negro Azuka realiza uma série de apresentações gratuitas para crianças na Zona Leste de São Paulo com o projeto “O sol nascerá”. A iniciativa promove contações de histórias inspiradas no álbum Canções Praieiras (1954), de Dorival Caymmi, e combina literatura infantil com Libras (Língua Brasileira de Sinais), criando um espetáculo bilíngue, inclusivo e poético.

O grupo surgiu da necessidade de construir um espaço de mediação entre surdos e ouvintes. Seu propósito é democratizar o acesso à arte por meio da oralidade, da acessibilidade e da valorização da cultura popular brasileira.

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“As músicas de Dorival Caymmi são a base para a criação das histórias. É a partir das narrativas poéticas presentes em suas canções que a trama nasce, guiada pela sensibilidade e pela beleza lírica da obra dele”, explica, em nota à imprensa, Victória Oliveira, integrante e idealizadora do projeto.

Em “O sol nascerá”, as canções ganham novas formas de expressão: sons se transformam em sinais, imagens e movimentos. O resultado é um universo no qual crianças surdas e ouvintes compartilham a mesma experiência estética.

“O projeto cria um espaço em que a cultura musical brasileira se traduz em múltiplas linguagens. Para as crianças surdas, a experiência não é uma tradução literal da música, mas uma recriação que valoriza a estética da Libras, do ritmo corporal e da imaginação visual. Para as ouvintes, amplia-se a escuta ao incorporar outras formas de linguagem”, completa Victória.

Cultura popular e território

As apresentações dialogam com a leveza do mar, a fluidez das ondas e a paixão presentes nas canções praieiras de Caymmi, recriadas em narrativas acessíveis às crianças. Para o coletivo Azuka, a obra do compositor baiano reflete a simplicidade e a profundidade da cultura popular, despertando encantamento a partir de pequenos gestos.

O projeto também possui recorte territorial: as contações acontecem em equipamentos culturais das periferias da zona leste, fortalecendo o acesso das crianças à literatura e à arte em suas diversas formas.

Ao longo de sua trajetória, o coletivo já homenageou nomes como Cartola e Clara Nunes. A próxima criação será dedicada à obra de Dona Ivone Lara, ressaltando o empoderamento da mulher negra e a mensagem de que os sonhos das meninas podem se tornar realidade.

Serviço

Projeto O sol nascerá

17/09 – 10h

Biblioteca Pública Hans Christian Andersen

Av. Celso Garcia, 4142 – Tatuapé, São Paulo – SP, 03064-000

19/09 – 14h

Biblioteca Pública Vicente Paulo Guimarães

Rua Jaguar, 225 – Vila Curuçá Velha, São Paulo – SP, 08030-460

22/09 – 10h

Biblioteca Pública Professor Arnaldo Magalhães Giácomo

Rua Restinga, 136 – Tatuapé, São Paulo – SP, 03065-020

22/10 – 10h

Biblioteca Pública Hans Christian Andersen

Av. Celso Garcia, 4142 – Tatuapé, São Paulo – SP, 03064-000

24/10 – 14h

Biblioteca Pública Paulo Setúbal

Av. Renata, 163 – Vila Formosa, São Paulo – SP, 03377-000

25/10 – 14h

Espaço Cultural Adebanke

Rua Durande, 175 – Artur Alvim, São Paulo – SP, 03694-080

12/11 – 10h

Biblioteca Pública Hans Christian Andersen

Av. Celso Garcia, 4142 – Tatuapé, São Paulo – SP, 03064-000

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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