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Após vencer eleição com 72%, presidente de Uganda chama oposição de ‘terroristas’

Yoweri Museveni, que governa desde 1986, acusa rival Bobi Wine de planejar ataques com estrangeiros e grupos homossexuais; líder opositor segue sumido
O atual presidente de Uganda e candidato presidencial do Movimento de Resistência Nacional (NRM), Yoweri Museveni, discursa durante o comício de encerramento da campanha do partido antes das eleições gerais ugandenses de 2026, em Kampala, em 13 de janeiro de 2026.

O atual presidente de Uganda e candidato presidencial do Movimento de Resistência Nacional (NRM), Yoweri Museveni, discursa durante o comício de encerramento da campanha do partido antes das eleições gerais ugandenses de 2026, em Kampala, em 13 de janeiro de 2026.

— Reprodução/AFP

19 de janeiro de 2026

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, acusou a oposição de agir como “terroristas” após vencer a eleição presidencial com 72% dos votos, segundo os resultados oficiais divulgados pelas autoridades eleitorais. Em discurso no domingo (18), o chefe de Estado afirmou que adversários políticos tentaram recorrer à violência para derrubar o resultado das urnas.

Museveni, de 81 anos, garantiu um sétimo mandato consecutivo no cargo que ocupa desde 1986, quando chegou ao poder após liderar uma insurgência armada. O pleito ocorreu sob críticas de observadores eleitorais africanos e organizações de direitos humanos, que relataram repressão à oposição, detenções, intimidações e o bloqueio do acesso à internet.

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No discurso da vitória, Museveni disse que o partido de Wine, a Plataforma de Unidade Nacional (NUP), planejou ataques a seções eleitorais em áreas onde estava perdendo. “Alguns da oposição são errados e também terroristas”, afirmou o presidente, que governa o país do leste africano desde 1986, quando chegou ao poder à frente de um exército rebelde. “Eles trabalham com alguns estrangeiros e alguns grupos homossexuais.”

Museveni emitiu um alerta: “Todos os traidores – este é um conselho gratuito de mim – parem com tudo, porque sabemos o que vocês estão fazendo e vocês não conseguirão.”

O paradeiro de Bobi Wine permanece incerto. No sábado (17), ele compartilhou em seu perfil nas redes sociais que escapou de uma invasão policial à sua casa e que estava em um local escondido. A polícia negou a operação e afirmou que Wine ainda estava em sua residência, mas impediu que jornalistas se aproximassem do local. 

Críticas internacionais e histórico de repressão

A Human Rights Watch (HRW), organização internacional de direitos humanos, acusou o governo ugandense de repressão sistemática contra a oposição no período que antecedeu a eleição. Observadores da União Africana relataram intimidações, prisões e sequestros que teriam gerado medo e reduzido a confiança da população no processo eleitoral.

Outro nome histórico da oposição, Kizza Besigye, que disputou a presidência quatro vezes contra Museveni, enfrenta um julgamento por traição em tribunal militar. Ele foi detido no Quênia em 2024 e transferido para Uganda, segundo seus aliados.

Analistas apontam que o resultado eleitoral era amplamente esperado devido ao controle do presidente sobre as estruturas do Estado e das forças de segurança, embora parte da população reconheça seu papel na manutenção da estabilidade interna após décadas de conflitos regionais.

Uganda, país com 48 milhões de habitantes, está localizada na África Centro-Oriental, entre o Quênia e a República Democrática do Congo, e faz fronteira ainda com Ruanda, Sudão do Sul e Tanzânia. Antiga colônia do Reino Unido, conquistou a independência em 1962. A economia tem base agrícola, apesar da presença de recursos naturais como ouro, cobre e potencial hidrelétrico.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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