A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta terça-feira (24) que o ataque a um hospital em El-Daein, no leste de Darfur, deixou 70 mortos e 146 feridos. Entre as vítimas fatais estão sete mulheres, 13 crianças, um médico e dois enfermeiros. O número de feridos inclui pacientes, familiares e oito profissionais de saúde.
O Hospital de Ensino de El-Daein, unidade de referência na capital do estado de Darfur Oriental, foi atingido na última sexta-feira (20). O prédio sofreu danos severos, principalmente nos departamentos de emergência e atendimento ambulatorial.
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O hospital já havia sido danificado em um ataque anterior, em agosto de 2024, e agora está completamente fora de funcionamento.
A unidade atendia como hospital de referência para mais de 2 milhões de pessoas em El-Daein e em nove localidades do estado de Darfur Oriental. Com a destruição, pacientes precisarão se deslocar 160 quilômetros para chegar ao hospital de referência mais próximo.
Hala Khudari, representante adjunta da OMS no Sudão e líder da resposta de emergência da agência no país, classificou o episódio como um “ataque atroz“.
“Um ataque a um hospital não é apenas um ataque a um edifício. É um ataque a pessoas que buscam cuidados, a profissionais de saúde que arriscam suas vidas para salvar outras pessoas e à própria possibilidade de sobrevivência em tempos de crise”, declarou Khudari em entrevista coletiva em Genebra.
Financiamento insuficiente
O Sudão vive um conflito iniciado em abril de 2023 entre as Forças Armadas Sudanese e as paramilitares Forças de Apoio Rápido (RSF). A guerra já matou dezenas de milhares de pessoas e forçou 11 milhões a abandonar suas casas.
O grupo de direitos sudanês Emergency Lawyers informou que o hospital foi atingido por um ataque com drone do exército. As RSF controlam a maior parte da região de Darfur, no oeste do país, enquanto o exército domina o leste, o centro e o norte.
A cidade de El-Daein está sob controle das RSF e tem sido alvo regular de ataques do exército, que tenta empurrar os paramilitares de volta para seus redutos em Darfur.
Khudari alertou que a resposta humanitária da OMS no Sudão para 2026 tem apenas 5,7% dos recursos necessários.
“O acesso aos cuidados está diminuindo. E os esforços para reparar ou restaurar instalações e equipamentos danificados estão sendo prejudicados”, afirmou.