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Ataque a hospital no Sudão deixa 70 mortos

Unidade em El-Daein, que atendia mais de 2 milhões de pessoas, ficou destruída; OMS denuncia "ataque atroz" e alerta para financiamento insuficiente da resposta humanitária
A imagem de satélite mostra fogo e fumaça no acampamento de Zamzam, perto da cidade sitiada de El-Fasher, em Darfur, no Sudão, em 19 de setembro de 2025.

A imagem de satélite mostra fogo e fumaça no acampamento de Zamzam, perto da cidade sitiada de El-Fasher, em Darfur, no Sudão, em 19 de setembro de 2025.

— Maxar Technologies/AFP

24 de março de 2026

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta terça-feira (24) que o ataque a um hospital em El-Daein, no leste de Darfur, deixou 70 mortos e 146 feridos. Entre as vítimas fatais estão sete mulheres, 13 crianças, um médico e dois enfermeiros. O número de feridos inclui pacientes, familiares e oito profissionais de saúde.

O Hospital de Ensino de El-Daein, unidade de referência na capital do estado de Darfur Oriental, foi atingido na última sexta-feira (20). O prédio sofreu danos severos, principalmente nos departamentos de emergência e atendimento ambulatorial. 

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O hospital já havia sido danificado em um ataque anterior, em agosto de 2024, e agora está completamente fora de funcionamento.

A unidade atendia como hospital de referência para mais de 2 milhões de pessoas em El-Daein e em nove localidades do estado de Darfur Oriental. Com a destruição, pacientes precisarão se deslocar 160 quilômetros para chegar ao hospital de referência mais próximo.

Hala Khudari, representante adjunta da OMS no Sudão e líder da resposta de emergência da agência no país, classificou o episódio como um “ataque atroz“.

“Um ataque a um hospital não é apenas um ataque a um edifício. É um ataque a pessoas que buscam cuidados, a profissionais de saúde que arriscam suas vidas para salvar outras pessoas e à própria possibilidade de sobrevivência em tempos de crise”, declarou Khudari em entrevista coletiva em Genebra.

Financiamento insuficiente

O Sudão vive um conflito iniciado em abril de 2023 entre as Forças Armadas Sudanese e as paramilitares Forças de Apoio Rápido (RSF). A guerra já matou dezenas de milhares de pessoas e forçou 11 milhões a abandonar suas casas.

O grupo de direitos sudanês Emergency Lawyers informou que o hospital foi atingido por um ataque com drone do exército. As RSF controlam a maior parte da região de Darfur, no oeste do país, enquanto o exército domina o leste, o centro e o norte. 

A cidade de El-Daein está sob controle das RSF e tem sido alvo regular de ataques do exército, que tenta empurrar os paramilitares de volta para seus redutos em Darfur.

Khudari alertou que a resposta humanitária da OMS no Sudão para 2026 tem apenas 5,7% dos recursos necessários.

“O acesso aos cuidados está diminuindo. E os esforços para reparar ou restaurar instalações e equipamentos danificados estão sendo prejudicados”, afirmou.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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