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ONU classifica atrocidades no Sudão como ‘catástrofe evitável’ e alerta para risco de novos crimes

Alto comissário afirma que avisos foram ignorados, atribui responsabilidade às Forças de Apoio Rápido e cita execuções, estupros e sequestros
Esta foto de satélite obtida em 11 de agosto do Planet Labs PBC e datada de 10 de agosto de 2025 mostra uma vista do aeroporto em Nyala, capital do estado de Darfur do Sul, região de fronteira do Sudão do Sul.

Esta foto de satélite obtida em 11 de agosto do Planet Labs PBC e datada de 10 de agosto de 2025 mostra uma vista do aeroporto em Nyala, capital do estado de Darfur do Sul, região de fronteira do Sudão do Sul.

— 2025 Planet Labs PBC/AFP

10 de fevereiro de 2026

O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que as atrocidades cometidas durante a tomada de El Fasher, no Sudão, constituem uma “catástrofe” que poderia ter sido evitada. 

Em discurso ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Türk declarou que seu escritório emitiu alertas sobre o risco de atrocidades em massa na cidade sitiada por mais de um ano, sem que houvesse uma resposta eficaz.

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“Documentamos anteriormente, em várias ocasiões, padrões desse tipo de atrocidades, especialmente durante a ofensiva das Forças de Apoio Rápido (FAR) para tomar o campo de Zamzam. A ameaça era evidente, mas nossos alertas foram ignorados”, disse Türk em nota da ONU.

A queda de El Fasher, o último reduto do exército regular na vasta região de Darfur, ocorreu com relatos de massacres, estupros, sequestros e execuções sumárias.

Responsabilidade atribuída às FAR e a seus apoiadores

Türk atribuiu a responsabilidade integral pelas violações aos paramilitares das Forças de Apoio Rápido, seus aliados e aqueles que os apoiam. “A comunidade internacional precisa fazer mais”, afirmou. 

Um relatório detalhado do Escritório de Direitos Humanos da ONU, que deve ser apresentado ao Tribunal Penal Internacional nas próximas semanas, cataloga crimes de guerra e contra a humanidade na cidade. O documento cita, entre outras violações, o assassinato em massa de civis que se abrigavam na Universidade de El Fasher, ataques a instalações de saúde e violência sexual contra mulheres e meninas sequestradas.

O alto comissário relatou que as vítimas desses sequestros, muitas vezes, tiveram que pagar resgates exorbitantes às FAR para obter libertação. A investigação também apurou ataques direcionados a pessoas de etnia não árabe, em particular do grupo Zaghawa, e a detenção em massa de milhares de homens e adolescentes em condições desumanas, com relatos de tortura.

Novo front no Kordofan gera temor de repetição

Com a queda de El Fasher, o foco do conflito se deslocou para a região estratégica do Kordofan, área que conecta as regiões sob controle do exército no norte, leste e centro do país a Darfur. Türk expressou temor de que o cenário de atrocidades se repita nessa nova frente. Nas últimas duas semanas, confrontos entre o exército sudanês e as FAR se intensificaram em cidades como Kadugli e Dilling.

O alto comissário apresentou dados sobre o impacto direto sobre a população civil nessa nova fase: “Em um período de pouco mais de duas semanas, até 6 de fevereiro, segundo a documentação do meu escritório, cerca de 90 civis morreram e 142 ficaram feridos em ataques com drones realizados pelas FAR e pelas Forças Armadas Sudanesas”. Os bombardeios com drones de ambos os lados do conflito continuam, segundo ele, causando dezenas de vítimas.

Volker Türk fez um apelo direto à comunidade internacional. Ele pediu que todos os estados com influência sobre as partes em conflito ponderem “o que poderiam ter feito para evitar a morte de milhares de civis em El Fasher e o que farão para evitar a repetição em outras partes do Sudão”. 

Türk defendeu que esses países pressionem “os que estão se beneficiando desta guerra sem sentido” e façam todo o possível para promover esforços de mediação em níveis local, regional e internacional.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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