No Benim, o governo do presidente Patrice Talon pretende ampliar a cidadania beninense para pessoas negras de outros países que integrem a diáspora africana. De acordo com a agência Reuters, o programa “My Afro Origens” recebe cerca de 100 candidaturas por dia.
Localizado entre a Nigéria e o Togo, na África Ocidental, o país possui uma população estimada de mais de 14 milhões de pessoas e tem como três maiores grupos étnicos os Fon, Aja e Yoruba. Entre as religiões mais comuns entre os beninenses estão o islamismo e o catolicismo.
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Segundo o Ministério da Justiça de Benim, desde o lançamento do programa, em 2025, cerca de 50 pessoas receberam a cidadania. O cineasta Spike Lee, célebre diretor e roteirista da comunidade afroamericana, e sua esposa, Tonya Lee Lewis, foram nomeados como embaixadores.
Além de aumentar a visibilidade do país, a medida busca destacar o papel proeminente do país no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A previsão é que, com o programa, seja criado o Museu Internacional da Memória e da Escravatura na antiga residência de Francisco Félix de Souza, um notório traficante de pessoas escravizadas entre os séculos XVIII e XIX.
Para se qualificar para a cidadania, os candidatos devem ter mais de 18 anos e apresentar documentos ou teste de DNA que comprovem seus laços com o continente.
“Acreditamos que a África não pode se desenvolver sem um forte envolvimento de sua diáspora”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Shegun Adjadi Bakari, em entrevista à agência Reuters.
Dominação francesa e independência do Benim
Neste ano, o processo de independência da nação beninesa completará 66 anos. A ocupação colonial começou no século XVII, com os portugueses, que implementaram o processo de escravização no território a partir dos entrepostos no litoral. Conhecido como Costa dos Escravos, o local servia de ponto inicial para o transporte dos cativos até o Brasil e o Caribe.
Durante a campanha para abolir o comércio de pessoas escravizadas, a França iniciou um conflito com os reinos locais. Entre 1897 e 1898, tratados com a Inglaterra e a Alemanha determinaram que a tutela de Benim, à época rebatizada “República de Daomé”, pertenceria à África Ocidental Francesa.
Sua independência ocorreu sob o nome de “República de Daomé”, em 1975, com forte participação do militante pan-africanista Louis Hunanrin. Liderança na Liga dos Direitos do Homem, o ativista fundou, em 1945, a Assembleia Democrática Africana, que fomentou a luta revolucionária pela descolonização.
Hubert Maga, líder pró-independência, também foi um dos responsáveis pela libertação do país, tendo negociado a independência junto aos primeiros-ministros do Togo e do Níger.
Com a pressão dos movimentos e da imprensa, o governo francês passou, em 1950, a ceder a autonomia gradual de suas colônias. A independência plena só foi declarada em 1960 e, somente quinze anos depois, o território foi batizado de “República do Benim”.