O ministro da Fazenda do Benim, Romuald Wadagni, venceu a eleição presidencial com mais de 94% dos votos, segundo resultados provisórios divulgados nesta terça-feira (14).
A Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENA) anunciou o percentual com base em 90% das urnas apuradas.
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O único adversário, Paul Hounkpe, reconheceu a derrota antes da conclusão da contagem.
Wadagni, de 49 anos, foi escolhido a dedo pelo presidente Patrice Talon para sucedê-lo após dois mandatos de cinco anos.
O novo presidente ocupou o cargo de ministro da Fazenda por uma década, período em que o país registrou crescimento econômico médio superior a 6% ao ano, redução do déficit fiscal para 3% do PIB e expansão do turismo.
Apesar da vitória expressiva, a oposição contestou as condições do pleito. Astrid Kounouho, ativista do partido Democratas, afirmou não estar satisfeita com o resultado.
“Contesto as condições sob as quais esta eleição ocorreu, a falta de abertura política e a ausência de pluralismo genuíno”, declarou. “Mas o país é maior que nossas diferenças. Esperamos que ele governe para todos.”
O principal partido de oposição, Democratas, não conseguiu as assinaturas parlamentares necessárias para registrar um candidato. O adversário derrotado, Paul Hounkpe, precisou do aval de vários parlamentares da base governista para obter registro na chapa.
O jornal Le Patriote viu “sinais de um roubo eleitoral”. Uma plataforma de monitoramento eleitoral registrou denúncias de urnas que apareceram cheias antes do início da votação. A CENA informou que a participação foi de quase 60%.
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Desafios pela frente
Wadagni enfrenta desafios significativos. A taxa de pobreza ultrapassa 30% da população, e muitos beninenses não sentiram os benefícios do crescimento econômico.
A insegurança no norte do país, causada por ataques de grupos jihadistas, principalmente do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), ligado à Al-Qaeda, também preocupa.
O novo presidente não ocupava cargo eletivo antes da eleição. A próxima eleição presidencial ocorrerá apenas em 2033, devido a uma reforma constitucional que estendeu o mandato por sete anos.
Um vendedor de cadeados do bairro Gbegemey, em Cotonou, resumiu a expectativa popular.
“Se esta eleição ou a chegada de Wadagni puder mudar nossas vidas, ficaremos felizes. Mas, por enquanto, precisamos encontrar uma maneira de alimentar a família”, disse Alimata à AFP.
O analista político Franck Kinninvo afirmou que Wadagni “seguirá na continuidade do que foi feito”. A Corte Constitucional deve anunciar os resultados finais da eleição de domingo até o final da semana.
A CENA e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) classificaram o pleito como pacífico e tranquilo.
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