Os Estados Unidos, os Emirados Árabes Unidos e outros atores internacionais pediram na quarta-feira (20) que as partes em conflito no Sudão concordem com uma trégua imediata para permitir a entrada de ajuda humanitária diante do agravamento da fome no país.
A coalizão, chamada ALPS (EUA, Emirados Árabes, Egito, Arábia Saudita, Suíça, União Africana e Organização das Nações Unidas — ONU), afirmou estar “consternada pela contínua deterioração da situação humanitária no Sudão, incluindo o aumento de pessoas em situação de desnutrição grave e fome, e com as dificuldades de acesso que estão atrasando ou bloqueando a resposta em áreas-chave”.
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O grupo destacou que “os civis continuam pagando o preço mais alto desta guerra” e pede ação urgente para proteger a população e garantir a entrada de suprimentos, em conformidade com o Direito Internacional Humanitário e com os compromissos assumidos no Acordo de Jeddah, firmado em maio de 2023.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 25 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar extrema após mais de um ano de confrontos entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido (FAR).
O apelo ocorre em um momento de críticas aos EUA por seu apoio à ofensiva de Israel em Gaza, também apontada como causa de catástrofe humanitária.
Demandas da coalizão internacional
No comunicado, a coalizão internacional elencou uma série de medidas consideradas urgentes para conter a crise humanitária no Sudão. Entre elas, destacou a necessidade de eliminar barreiras burocráticas que dificultam ou impedem a realização de operações de assistência, além de manter abertas rotas estratégicas para o transporte de suprimentos.
Nesse ponto, foi ressaltada a importância da ampliação do uso da passagem de Adre, na fronteira com o Chade, e da criação de corredores regulares que garantam acesso às regiões de Darfur e Kordofan.
Os países e organizações também defenderam a presença contínua das Nações Unidas em todo o território sudanês, sobretudo nas áreas em que a população enfrenta necessidades mais agudas.
Outra preocupação apresentada foi a restauração dos serviços de telecomunicações, fundamentais tanto para a coordenação das operações de ajuda quanto para a comunicação das comunidades afetadas.
O documento reforçou ainda a necessidade de proteção das infraestruturas civis essenciais, como sistemas de energia, abastecimento de água e unidades de saúde, que vêm sendo atingidos pelos combates.
Por fim, a coalizão exigiu a garantia de passagem segura para civis e trabalhadores humanitários, de modo que possam acessar serviços e prestar assistência sem risco de retaliações, independentemente da área em que atuem.
Contexto de guerra e pressão diplomática
O conflito sudanês começou em abril de 2023, com combates entre o Exército e as FAR, e já causou milhares de mortes e deslocamentos em massa. O governo sudanês acusa os Emirados Árabes de apoiar os paramilitares, inclusive com armas e mercenários, o que complica a atuação diplomática da coalizão.
Apesar das tensões, a ALPS reforçou que “o direito humanitário internacional deve ser plenamente respeitado”, incluindo a obrigação de proteger civis e trabalhadores humanitários e de permitir acesso rápido e irrestrito da ajuda.