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Coalizão internacional pede trégua em conflito no Sudão para conter avanço da fome

Países alertam para crise humanitária que já afeta 25 milhões de pessoas
Moradores sudaneses se reúnem para receber refeições gratuitas em Al Fasher, uma cidade sitiada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), paramilitares do Sudão, há mais de um ano, na região de Darfur.

Moradores sudaneses se reúnem para receber refeições gratuitas em Al Fasher, uma cidade sitiada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), paramilitares do Sudão, há mais de um ano, na região de Darfur.

— Reprodução/Agence France-Presse

21 de agosto de 2025

Os Estados Unidos, os Emirados Árabes Unidos e outros atores internacionais pediram na quarta-feira (20) que as partes em conflito no Sudão concordem com uma trégua imediata para permitir a entrada de ajuda humanitária diante do agravamento da fome no país.

A coalizão, chamada ALPS (EUA, Emirados Árabes, Egito, Arábia Saudita, Suíça, União Africana e Organização das Nações Unidas — ONU), afirmou estar “consternada pela contínua deterioração da situação humanitária no Sudão, incluindo o aumento de pessoas em situação de desnutrição grave e fome, e com as dificuldades de acesso que estão atrasando ou bloqueando a resposta em áreas-chave”.

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O grupo destacou que “os civis continuam pagando o preço mais alto desta guerra” e pede ação urgente para proteger a população e garantir a entrada de suprimentos, em conformidade com o Direito Internacional Humanitário e com os compromissos assumidos no Acordo de Jeddah, firmado em maio de 2023.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 25 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar extrema após mais de um ano de confrontos entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido (FAR).

O apelo ocorre em um momento de críticas aos EUA por seu apoio à ofensiva de Israel em Gaza, também apontada como causa de catástrofe humanitária.

Demandas da coalizão internacional

No comunicado, a coalizão internacional elencou uma série de medidas consideradas urgentes para conter a crise humanitária no Sudão. Entre elas, destacou a necessidade de eliminar barreiras burocráticas que dificultam ou impedem a realização de operações de assistência, além de manter abertas rotas estratégicas para o transporte de suprimentos.

Nesse ponto, foi ressaltada a importância da ampliação do uso da passagem de Adre, na fronteira com o Chade, e da criação de corredores regulares que garantam acesso às regiões de Darfur e Kordofan.

Os países e organizações também defenderam a presença contínua das Nações Unidas em todo o território sudanês, sobretudo nas áreas em que a população enfrenta necessidades mais agudas. 

Outra preocupação apresentada foi a restauração dos serviços de telecomunicações, fundamentais tanto para a coordenação das operações de ajuda quanto para a comunicação das comunidades afetadas.

O documento reforçou ainda a necessidade de proteção das infraestruturas civis essenciais, como sistemas de energia, abastecimento de água e unidades de saúde, que vêm sendo atingidos pelos combates. 

Por fim, a coalizão exigiu a garantia de passagem segura para civis e trabalhadores humanitários, de modo que possam acessar serviços e prestar assistência sem risco de retaliações, independentemente da área em que atuem.

Contexto de guerra e pressão diplomática

O conflito sudanês começou em abril de 2023, com combates entre o Exército e as FAR, e já causou milhares de mortes e deslocamentos em massa. O governo sudanês acusa os Emirados Árabes de apoiar os paramilitares, inclusive com armas e mercenários, o que complica a atuação diplomática da coalizão.

Apesar das tensões, a ALPS reforçou que “o direito humanitário internacional deve ser plenamente respeitado”, incluindo a obrigação de proteger civis e trabalhadores humanitários e de permitir acesso rápido e irrestrito da ajuda.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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