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Famílias exigem do governo resgate de mais de 265 estudantes sequestrados na Nigéria

Grupos armados mantêm mais de 265 crianças e professores; um pai desabafa que o filho sequestrado tem apenas quatro anos e ainda não aprendeu a falar
Vista geral de beliches vazios e pertences espalhados dentro de um dormitório estudantil na Escola Católica de Santa Maria em Papiri, município de Agwarra, estado de Níger, em 23 de novembro de 2025.

Vista geral de beliches vazios e pertences espalhados dentro de um dormitório estudantil na Escola Católica de Santa Maria em Papiri, município de Agwarra, estado de Níger, em 23 de novembro de 2025.

— Ifeanyi Immanuel Bakwenye/AFP

28 de novembro de 2025

Mais de 265 crianças e professores seguem em cativeiro após o sequestro em massa em uma escola católica no estado de Níger, na região centro-oeste da Nigéria. O ataque ocorreu na semana passada, quando grupos armados invadiram a St. Mary’s Catholic School e levaram mais de 300 pessoas. Pelo menos 50 conseguiram escapar, mas a maior parte das vítimas continua desaparecida.

O episódio marcou uma nova escalada na onda de raptos em massa que atinge o país há mais de uma década. Nos dias seguintes ao ataque, outros dois sequestros ocorreram: 25 alunas foram levadas de uma escola distinta e 38 fiéis foram capturados em uma igreja na região leste.

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Um pai na Nigéria revelou que seu filho sequestrado tem apenas quatro anos de idade, sofre de asma e ainda não aprendeu a falar. As informações, junto dos próximos relatos, são de uma reportagem de Ifeanyi Immanuel Bakwenye, publicada pela Agence France-Presse (AFP).

“Meu filho é um menino pequeno. Ele nem sabe como falar”, disse Michael Ibrahim, que afirmou que a esposa adoeceu e precisou ser hospitalizada pelo choque do sequestro. “Não sabemos em que condição o menino está”, completou.

Outro pai, Sunday Isaiku, ecoou o apelo: “Preciso do meu filho de volta. Preciso do meu filho de volta. Se eu tivesse o poder de trazer meu filho de volta, eu o faria”.

O reverendo Bulus Yohanna, da diocese católica de Kontagora, fez um apelo direto às autoridades: “Neste momento, o que queremos é recuperar nossos 265 alunos e estudantes e peço ao governo federal e ao governo estadual que unam forças”. As informações são de uma reportagem de Ifeanyi Immanuel Bakwenye, publicada pela Agence France-Presse (AFP).

O presidente da Nigéria, Bola Ahmed Tinubu, durante a 65ª Sessão Ordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da organização, realizada em Abuja, no dia 7 de julho de 2024.
Bola Ahmed Adekunle Tinubu, mais conhecido como Bola Tinubu, atual presidente da Nigéria. Foto: Sodiq Adelakun / AFP

Histórico de violência e contexto de segurança

A Nigéria tem um histórico de sequestros em massa, principalmente realizados por grupos criminosos que buscam pagamento de resgate e visam populações vulneráveis em áreas rurais com pouca presença policial. De acordo com o grupo de monitoramento de conflitos Dados sobre Localização e eventos de conflitos em massa (ACLED), o país registrou 42 incidentes de violência contra estudantes em 2025, uma redução em relação aos 71 de 2024.

Cerca de 40% desses sequestros envolveram pedidos de resgate. “Grupos de bandidos fragmentados e outros atores armados são os autores mais comuns nesses sequestros, enquanto grupos islamistas são responsáveis com muito menos frequência por violência direcionada a estudantes”, afirmou a ACLED.

O primeiro sequestro em massa de grande repercussão na Nigéria ocorreu em 2014, com as meninas de Chibok. Mais de uma década depois, cerca de 90 delas ainda permanecem desaparecidas.

Para Michael Ibrahim, o governo representa a única esperança. “Não conhecemos outra forma de trazer essas crianças a não ser através do governo. Apelo ao governo para que faça tudo ao seu alcance para ver seus filhos de volta”, disse ele, falando no idioma local hauçá.

Quatro dias após o sequestro das crianças de St. Mary, nenhum grupo reivindicou o ato ou entrou em contato com a escola para exigir resgate.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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