As Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar sudanês, bombardearam no sábado (23) a unidade de emergência de um hospital em El-Fasher, capital de Darfur do Norte, e sequestraram oito civis de um campo de deslocados próximo. Entre as vítimas levadas estão seis mulheres, um bebê de 40 dias e uma criança de três anos, segundo relato da Sala de Resposta de Emergência do campo de Abu Shouk.
O hospital atingido é um dos três que ainda funcionam na cidade. O ataque deixou sete feridos, incluindo um funcionário da equipe médica, e obrigou a suspensão dos atendimentos na área de emergência.
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El-Fasher está cercada pela RSF há mais de um ano e tornou-se o último grande reduto do Exército sudanês no oeste do país. Desde a perda de Cartum, em março deste ano, as forças paramilitares intensificaram a ofensiva sobre a cidade e os campos vizinhos, como parte da tentativa de consolidar o controle sobre Darfur.
O campo de Abu Shouk, que abriga dezenas de milhares de deslocados, vem sendo alvo frequente de ataques. Na quinta-feira (21), um bombardeio matou cinco pessoas de uma mesma família e feriu outras quatro.
Fome e colapso da infraestrutura
Abu Shouk é um dos três campos nos arredores de El-Fasher onde a fome foi declarada no fim de 2024. A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que a escassez alimentar pode atingir a própria cidade, embora a falta de dados tenha adiado uma declaração formal.
De acordo com a Sala de Resposta de Emergência, a fome e as doenças causam sete mortes por semana no campo. A infraestrutura básica também entrou em colapso: 98% das instalações de água estão fora de operação devido à insegurança e à escassez de combustível.
O Sudão possui cerca de 50 milhões de habitantes, fazendo dele o terceiro maior país da África em extensão territorial. O país conquistou a independência em 1º de janeiro de 1956, ao fim do Condomínio Anglo-Egípcio (1899–1956) — o país esteve sob administração conjunta do Reino Unido e do Egito durante esse período, com um domínio predominantemente britânico. Após separação do Sudão do Sul em 2011, o território remanescente tornou-se mais concentrado e etnicamente complexo.
A guerra no Sudão, iniciada em abril de 2023 entre o Exército, liderado por Abdel Fattah al-Burhan, e a RSF, comandada por Mohamed Hamdan Daglo, já provocou dezenas de milhares de mortes. A ONU classifica a situação como a maior crise de deslocamento e fome no mundo.