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Guiné-Bissau é suspensa da União Africana após levante militar

Presidente Umaro Sissoco Embalo deixa o país; novo comando militar nomeia primeiro-ministro e defende “restauração da ordem” em meio a críticas internacionais
O general do Exército da Guiné-Bissau, Horta N'Tam, está ao lado de um retrato do ex-presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embalo, durante a cerimônia de posse como líder da transição e chefe do Alto Comando em Bissau, em 27 de novembro de 2025.

O general do Exército da Guiné-Bissau, Horta N'Tam, está ao lado de um retrato do ex-presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embalo, durante a cerimônia de posse como líder da transição e chefe do Alto Comando em Bissau, em 27 de novembro de 2025.

— Patrick Meinhardt/AFP

28 de novembro de 2025

A União Africana (UA) determinou a suspensão da Guiné-Bissau de todos os seus órgãos, em resposta à mudança de poder no país. A decisão ocorre dois dias após militares anunciarem a dissolução do governo e a interrupção da divulgação dos resultados das eleições presidenciais e legislativas.

O general Horta N’Tam, até então chefe do Estado-Maior do Exército, foi empossado como presidente de um período de transição de um ano. Ele nomeou Ilídio Vieira Té, ministro das Finanças no governo anterior, como primeiro-ministro. Em declaração, N’Tam afirmou que o povo da Guiné-Bissau “espera muito” dos novos líderes e defendeu a “restauração da segurança nacional e da ordem pública”.

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O presidente Umaro Sissoco Embalo, que havia sido detido, deixou o país com destino ao Senegal. O candidato oposicionista Fernando Dias, que reivindicou vitória no pleito, informou estar “em segurança” e permanece no território guineense.

Organizações internacionais reagiram à mudança. A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) suspendeu o país de seus órgãos decisórios. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, classificou a ação militar como “violação inaceitável dos princípios democráticos”. A União Europeia pediu “retorno rápido à ordem constitucional”.

Hipóteses sobre os motivos do levante

O presidente do Senegal, Ousmane Sonko, declarou que os eventos na Guiné-Bissau configuram uma “simulação”, sem detalhar. Ele defendeu a continuidade do processo eleitoral.

Fernando Dias, candidato da oposição, acusou o presidente deposto de ter “organizado” a mudança de poder para evitar uma transição. Analistas locais ouvidos pela Agence France-Presse (AFP) sugerem que o movimento pode representar uma manobra de reposicionamento político de Embalo.

Outra linha de análise aponta que tensões relacionadas a redes de tráfico de drogas podem ter influência no episódio. O general Denis N’Canha, chefe do gabinete militar da presidência, citou a existência de um plano que envolvia “barões da droga” e a “introdução de armas no país para alterar a ordem constitucional”.

Posição do Brasil

O governo brasileiro emitiu nota para manifestar “preocupação” com o anúncio do “Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e da Ordem Pública”. O Itamaraty lamentou a “suspensão arbitrária das eleições” e conclamou as forças políticas ao “diálogo pacífico” para o “retorno à ordem constitucional”. A Embaixada do Brasil em Bissau mantém plantão consular para atendimento a cidadãos brasileiros.


A Guiné-Bissau registra quatro mudanças de poder por via militar desde sua independência de Portugal, em 1974. A nação também é reconhecida como rota de tráfico de entorpecentes entre a América Latina e a Europa.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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