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Guiné-Bissau liberta 6 políticos da oposição presos desde novembro após golpe militar

Militares de Guiné-Bissau enfileirados durante a cerimônia de posse do novo governo do país no Palácio Presidencial, Bissau, 29 de novembro de 2025

Militares de Guiné-Bissau enfileirados durante a cerimônia de posse do novo governo do país no Palácio Presidencial, Bissau, 29 de novembro de 2025

— Patrick Meinhardt/AFP

27 de dezembro de 2025

Na quinta-feira (25), o governo da Guiné-Bissau libertou seis membros da oposição que estavam presos desde a tomada do poder por militares no país, em 26 de novembro.

As seis pessoas libertadas eram próximas do ex-premiê Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Pereira está preso desde o golpe de novembro. Seu partido, o PAIGC, liderou o país até 2018, desde a independência de Portugal, conquistada em 1974 sob a liderança de Amílcar Cabral.

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Em declaração à agência francesa AFP, o comando militar que governa o país afirmou que a libertação desses presos é um “sinal de boa-fé e compromisso com o retorno à normalidade constitucional e o respeito às leis internacionais”.

Os militares bissau-guineenses tomaram o poder no final de novembro ao depor o então presidente, Umaro Sissoco Embaló, em meio às eleições no país, cuja votação ocorreu em 23 de novembro. Os militares suspenderam o processo eleitoral e anunciaram a tomada de controle do país por um período de um ano.

Um dia antes do golpe, os líderes da corrida eleitoral, o então presidente Sissoco e o candidato Fernando Dias, apoiado pelo PAIGC, declararam vitória no primeiro turno das eleições. Após o golpe, Dias se refugiou na embaixada da Nigéria, que lhe garantiu asilo. Já Embaló fugiu para Senegal, após também ser detido por militares.

Em entrevista à RFI, Dias acusou Embaló de ser parte do golpe militar: “Ele vai continuar a manipular as atuais chefias militares. Porque são chefias da sua proveniência. Isso é que nós compreendemos”, disse.

No domingo (21), o chanceler senegalês, Cheikh Niang, esteve no país liderando uma comissão que se encontrou com os líderes da oposição detidos. Os representantes senegaleses solicitaram a libertação dos presos.

Bloco regional condena governo militar e ameaça sanções

O bloco regional da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ameaçou neste mês a imposição de sanções contra quaisquer pessoas que obstruam o retorno de Guiné-Bissau a um governo civil após o golpe. A CEDEAO também suspendeu Guiné-Bissau devido à insurreição militar.

As declarações são de 14 de dezembro, quando a organização divulgou seu comunicado oficial após a 68ª sessão de chefes de Estado e governo. No texto, o bloco “condena veementemente o golpe de Estado que interrompeu o processo eleitoral em Guiné-Bissau”.

Além disso, o documento exige “a imediata libertação de todos os presos políticos e sua participação nos processos políticos de Guiné-Bissau”. A CEDEAO pede ainda uma “rápida transição” liderada por um “governo inclusivo que reflita o espectro político e social” do país na direção de reformas políticas e a organização de eleições “transparentes e inclusivas”.

Antes do levante, Guiné-Bissau sofreu outras quatro intervenções militares, além de uma série de insurreições sem sucesso ao longo do período pós-independência.

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  • Solon Neto

    Cofundador e diretor de comunicação da agência Alma Preta Jornalismo; mestre e jornalista formado pela UNESP; ex-correspondente da agência internacional Sputnik News.

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