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ONU afirma que exército de Ruanda teve papel decisivo em ofensiva no leste do Congo

Relatório de especialistas das Nações Unidas aponta evidências de que forças ruandesas participaram diretamente de ataques do grupo M23, em Goma e Bukavu
Goma em 1º de março de 2025, após entregar os soldados repatriados das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR) ao governo ruandês.

Goma em 1º de março de 2025, após entregar os soldados repatriados das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR) ao governo ruandês.

— Jospin Mwisha/AFP

3 de julho de 2025

O Exército de Ruanda teve papel considerado “crítico” na ofensiva do grupo armado M23 no leste da República Democrática do Congo (RDC), que resultou na captura de Goma e Bukavu no início de 2025. A conclusão está em relatório de especialistas das Nações Unidas, que será divulgado nos próximos dias, mas cujo conteúdo já foi obtido pela Agence France-Presse (AFP).

Embora o governo ruandês negue oficialmente qualquer apoio militar ao M23, os investigadores da ONU afirmam que há evidências consistentes de que soldados das Forças de Defesa de Ruanda (RDF) atuaram diretamente em operações de combate e ocupação de territórios congoleses.

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De acordo com o documento, as forças ruandesas realizaram incursões sistemáticas pela fronteira, ocuparam posições de combate na linha de frente e operaram armamentos de alta tecnologia.

Tomada de Goma e Bukavu envolveu planejamento ruandês

Segundo o relatório, uma semana antes da ofensiva, autoridades ruandesas informaram confidencialmente ao grupo de especialistas da ONU que o presidente Paul Kagame havia decidido tomar o controle de Goma e Bukavu. As duas cidades, capitais provinciais no leste da RDC, foram ocupadas em rápida ofensiva durante os meses de janeiro e fevereiro.

A análise se apoia em fotos, vídeos, imagens de drones, depoimentos e inteligência obtida por diferentes meios. Os dados confirmam, segundo os autores, a presença reforçada e ativa do Exército ruandês em solo congolês, contrariando as declarações de Kigali, que alega apenas manter “medidas defensivas” nas áreas de fronteira.

Em resposta ao relatório, o governo ruandês classificou as conclusões como distorcidas. A porta-voz Yolande Makolo afirmou que o documento “deturpa deliberadamente as preocupações legítimas de segurança de Ruanda”, especialmente diante da presença, no leste da RDC, do grupo rebelde FDLR (Forças Democráticas de Libertação de Ruanda).

Criado por líderes hutus que participaram do genocídio contra tutsis em 1994, o FDLR é considerado uma ameaça histórica pelo governo de Kigali. Ruanda afirma manter presença militar nas regiões fronteiriças apenas para conter riscos ligados a essa organização e seus aliados.

Acordo de paz ainda não foi implementado

Apesar das denúncias, Ruanda e RDC assinaram, na última sexta-feira (27), em Washington, um acordo de paz com mediação dos Estados Unidos. O pacto prevê o fim do apoio a grupos armados por parte dos dois países. O presidente norte-americano, Donald Trump, comemorou o tratado como “o início de um novo capítulo de esperança e oportunidade” para a região.

O acordo ainda depende de implementação concreta. Os presidentes Paul Kagame, de Ruanda, e Félix Tshisekedi, da RDC, devem se reunir nos próximos meses, também em Washington, para discutir os próximos passos do processo de pacificação.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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