Neste domingo (25), a Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS, na sigla em inglês) declarou que a situação no país africano está elevando “o risco de violência indiscriminada contra civis”, à medida que novos conflitos assolam o país.
Em comunicado, o grupo da Organização das Nações Unidas ONU cita que cerca de 180 mil pessoas já foram deslocadas pelo conflito e aponta “grave alarme” com os combates no estado de Jonglei, ao norte da capital Juba.
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“Comunidades em Jonglei e em outras partes do Sudão do Sul estão sofrendo imensos danos com a escalada do conflito, incluindo confrontos militares diretos entre forças alinhadas às principais partes do acordo de paz”, diz o texto.
No documento, o chefe da UNMISS, Graham Maitland declara que “a retórica inflamatória incitando a violência contra civis, incluindo os mais vulneráveis, é totalmente abominável e deve parar agora”.
No domingo (25), o porta-voz das Forças de Defesa Popular do Sudão do Sul (SSPDF, na sigla em inglês), Lul Ruai Koang, disse aos residentes de Jonglei para “evacuarem imediatamente” as áreas controladas pelo Exército de Libertação Popular do Sudão na Oposição (SPLA-IO, na sigla em inglês) e se mudarem para “áreas controladas pelo governo o mais rápido possível”.
O comunicado afirma ainda que civis armados que estiverem dentro ou próximos de instalações do SPLA-IO “seriam considerados alvos militares legítimos”.

Com uma população de cerca de 12,7 milhões de pessoas, o Sudão do Sul conquistou sua independência do Sudão em 2011 e é considerado o país mais jovem do mundo.
No entanto, desde então o país enfrenta conflitos internos e instabilidade política. Atualmente, o Sudão do Sul convive com combates envolvendo as SSPDF, leais ao presidente sul-sudanês, Salva Kiir, e o SPLA-IO, leais ao líder de oposição e vice-presidente do país Riek Machar.
Os combates entre os dois lados aumentaram desde 24 de dezembro, após forças do SPLA-IO tomarem uma posição militar em Waat, cidade no estado de Jonglei.
Ons conflitos refletem tensões restantes de um acordo de paz que encerrou a guerra civil de cinco anos no país, que durou de 2013 a 2018, deixando 400 mil mortos. O acordo, porém, tem se mostrado frágil na unificação das forças políticas e militares do país.