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Conselho da ONU ordena investigação sobre violências em El-Fasher, no Sudão

Órgão determina que missão de apuração identifique responsáveis por violações que podem configurar crimes contra a humanidade e risco de genocídio
Estudantes sudaneses de escolas locais gritam slogans enquanto participam numa marcha organizada durante um protesto contra as violações cometidas pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) contra o povo de El-Fasher, na cidade de Gedaref, no leste do Sudão, em 6 de novembro de 2025.

Estudantes sudaneses de escolas locais gritam slogans enquanto participam numa marcha organizada durante um protesto contra as violações cometidas pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) contra o povo de El-Fasher, na cidade de Gedaref, no leste do Sudão, em 6 de novembro de 2025.

— STR/AFP

14 de novembro de 2025

O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) ordenou, nesta sexta-feira (14), que investigadores apurem supostas atrocidades em El-Fasher, no Sudão. A resolução determina a identificação dos autores para que eles sejam levados à justiça.

O principal órgão de direitos humanos das Nações Unidas adotou a resolução que ordena à missão de apuração de fatos da ONU sobre o Sudão que investigue urgentemente as violações em El-Fasher. O texto pede à equipe de investigação que “identifique, onde possível”, os suspeitos, a fim de garantir que eles sejam “responsabilizados”.

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A decisão ocorreu ao final de uma sessão extraordinária convocada para tratar da situação na cidade, em meio a alertas sobre crimes contra a humanidade e risco de genocídio.

“Manchas de sangue no chão em El-Fasher foram fotografadas do espaço”, disse o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, na abertura da sessão. “A mancha no histórico da comunidade internacional é menos visível, mas não menos prejudicial”.

O texto foi apresentado por Reino Unido, Alemanha, Irlanda, Holanda e Noruega durante sessão especial convocada para analisar a situação crítica na cidade sudanesa. Alguns países, incluindo o próprio Sudão, declararam discordar dos trechos que ampliam o mandato investigativo, mas não bloquearam a aprovação.

Imagens de satélite e relatos reforçam gravidade da crise

O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, alertou que “manchas de sangue no chão de El-Fasher foram fotografadas do espaço”, como evidência da violência extrema. Segundo ele, o fracasso da comunidade internacional em reagir também produz uma “mancha no registro global”.

Desde o início da guerra entre o Exército sudanês e as RSF, em abril de 2023, dezenas de milhares de pessoas foram mortas. Cerca de 12 milhões foram deslocadas, configurando uma das piores crises humanitárias atuais.

Nas últimas semanas, a situação em El-Fasher se deteriorou rapidamente. Relatos mencionam execuções, violência sexual sistemática, saques, ataques contra trabalhadores humanitários e sequestros. As comunicações locais permanecem praticamente interrompidas.

Representante da missão de apuração da ONU, Mona Rishmawi afirmou que “centenas de mulheres e meninas foram estupradas e submetidas a estupros coletivos nas rotas de fuga, muitas vezes em público e sem qualquer receio de punição”.

Cerca de 100 mil pessoas fugiram da cidade em apenas duas semanas, segundo estimativas da ONU, buscando refúgio em locais próximos, como Tawila, a cerca de 50 km.

Acusações cruzadas e pressão por responsabilização

O embaixador britânico Kumar Iyer afirmou que o padrão da violência indica uma “campanha coordenada contra civis” por parte das RSF, incluindo assassinatos direcionados, violência sexual sistemática e uso deliberado da fome como arma.

Antes da votação, ele defendeu a aprovação do texto argumentando que, sem investigação, a impunidade persistiria.

O embaixador sudanês Hassan Hamid Hassan chamou o conflito de “guerra existencial” e acusou os Emirados Árabes Unidos de fornecerem apoio militar às RSF — algo negado por Abu Dhabi. O representante dos Emirados criticou tanto as forças paramilitares quanto o Exército sudanês, responsabilizando o governo por ataques indiscriminados em meio à fome e ao colapso humanitário.

O alerta mais duro veio de Adama Dieng, enviado especial da União Africana e assessor da ONU para prevenção de genocídio. Segundo ele, “o risco de genocídio existe no Sudão, é real e cresce a cada dia”.


A mesma preocupação foi reiterada por Volker Türk, que também advertiu para sinais de violência semelhante se espalhando para a região vizinha de Kordofan.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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