O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou nesta segunda-feira (11) que a organização precisa de reformas para ampliar a representação africana. A declaração ocorreu durante a cerimônia de início das obras de expansão do campus da ONU em Nairóbi, no Quênia.
Guterres defende há anos mudanças para dar à África e a outras regiões melhor representação na ONU. A demanda, no entanto, avançou pouco. A reforma do Conselho de Segurança exige que os cinco membros permanentes (Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos) concordem em diluir seus próprios poderes.
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“Precisamos de reformas mais profundas das instituições globais que reflitam o mundo como ele é hoje, não como era há 80 anos. Isso inclui o Conselho de Segurança, onde persiste uma injustiça histórica ao negar assentos permanentes à África”, disse Guterres a jornalistas.
Questionado pela AFP sobre um roteiro realista para a reforma do Conselho de Segurança, Guterres reconheceu a dificuldade. “Mas já existem alguns passos na direção certa”, acrescentou. Ele citou os esforços de Reino Unido e França para limitar o uso do veto por membros permanentes em situações extremas, como genocídio.
“A reforma é absolutamente necessária, porque com as divisões geopolíticas que testemunhamos, garantir paz e segurança no mundo atual se torna extremamente difícil. Precisamos de um Conselho de Segurança eficaz.”
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Expansão do campus em Nairóbi
Guterres esteve no Quênia para o início das obras de expansão do campus da ONU em Nairóbi. O projeto de US$ 340 milhões (R$ 1,6 bilhões) faz parte de uma estratégia de corte de custos. A organização pretende transferir funcionários de Nova York e Genebra para a capital queniana.
“É uma localização mais barata do que outras. É um bom negócio para a ONU”, afirmou Guterres. O campus começou como um hub regional para os braços ambientais e habitacionais da ONU. Hoje, abriga mais de 80 escritórios e mais de 4 mil funcionários.
Os Estados Unidos reduziram severamente as contribuições para a ONU sob o presidente Donald Trump, especialmente em ajuda humanitária. O país também ameaçou novos cortes, o que pressiona a organização a reduzir despesas.
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